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Marilisa Allegrini, a embaixadora dos vinhos do Vêneto

Da sexta geração da família produtora de vinhos italianos, ela demorou a entrar no mundo do vinho por achar que os irmãos assumiriam o negócio

Marilisa Allegrini, a embaixadora dos vinhos do Vêneto

A italiana Marilisa Allegrini, da sexta geração da família produtora de vinhos em Valpolicella

Em uma viagem à Itália alguns anos atrás, perguntei a Marilisa Allegrini, da sexta geração de produtores de vinho na região de Valpolicella, como foi a sua entrada nos negócios da família. Imaginava que por respirar vinhos desde pequena, sua chegada na Allegrini teria ocorrido como um processo natural. Mas a resposta foi inesperada: Marilisa foi estudar e trabalhar com psicologia. Ela queria trabalhar na área médica e o natural era que os seus dois irmãos assumissem a empresa, garantindo assim a continuidade da vinícola para a sétima geração.

Ela só chegou a Allegrini depois de seu pai Giovanni – personagem importante na história dos Amarones de qualidade – muito insistir. E foi assim que o trabalho de psicóloga em hospitais perdeu a profissional para o mundo do vinho na década de 1980. Atualmente, Marilisa é a figura mais conhecida da Allegrini – ela chegou a ser a primeira mulher italiana na capa da revista norte-americana Wine Spectator dois anos atrás. Embaixadora da marca e atualmente com o cargo de CEO, ela viaja o mundo todo para divulgar os vinhos da família, atualmente elaborados pelo seu irmão Franco.

Além dos míticos amarones, os tintos elaborados com uvas passificadas no Vêneto, Marilisa fala com desenvoltura dos valpolicella e dos recioto, e, com ainda mais orgulho, dos projetos de single vineyards, que começaram a ser criados por seu pai e lapidados por Franco, como o Palazzo dela Torre e o La Poja (os vinhos são representados no Brasil pela importadora Grand Cru). E conta que pode correr o mundo porque sabe que Franco está nos vinhedos.

É de Marilisa, junto com o irmão, Walter, já falecido, a ideia de expandir a Allegrini. Desde o início dos anos 2000, a família tem duas vinícolas na Toscana. Primeiro foi o Poggio al Tesoro, em Bolgheri, em 2001, e sete anos depois, o Poggio San Polo, em Montalcino. Também é sua a ideia de restaurar uma villa renascentista, localizada perto da cidade dos Allegrini. Com o crescimento dos negócios, a família comprou a propriedade, a Villa dela Torre, rodeada por vinhedos, aberta a hóspedes especiais.

As mulheres e o vinho

Durante todo o mês de março posto aqui as mais diversas histórias de mulheres no mundo do vinho. Em 2018 foram 23 textos de personalidades e épocas diferentes e em 2019 continuo a tradição. Adorei pesquisar e conhecer mais sobre estas pessoas e seus desafios. Confira, a seguir, quais foram estas mulheres.

2019

2018

– Dona Antónia Ferreira, a querida dona Ferreirinha, que tanto fez pela região do Douro e, por que não, por Portugal

– Barbe-Nicole Clicquot, mais conhecida como a Veuve Clicquot

– Jancis Robinson, a inglesa mais influente do mundo do vinho com o seu www.jancisrobinson.com

– Laura Catena, a argentina que investe nas pesquisas para conhecer e elaborar vinhos de qualidade, na vinícola Catena Zapata

– Lalou Bize-Leroy, a polêmica e competentíssima produtora da Borgonha

– Serena Sutcliffe e os leilões de vinho

– Maria Luz Marín, a chilena pioneira no vale de San Antonio, no Chile.

– Mônica Rossetti, brasileira que atualmente trabalha na Itália. Ela tem papel primordial na história da vinícola gaúcha Lidio Carraro

– Natasha Bozs, uma das primeiras enólogas negras da África do Sul, da Nederburg

– Elena Walch, a arquiteta que virou enóloga e hoje tem sua própria vinícola no Alto Adige

– Véronique Drouhin-Boss, a francesa da quarta geração da domaine Drouhi

– As associações de mulheres e vinhos já existem em 10 regiões francesas

– Lorenza Sebasti, proprietária da vinícola italiana Castello di Ama

– Fabiana Bracco, da Bracco Bosca, que tanto faz pelo vinho uruguaio que pode ser considerada a embaixadora do país

– A portuguesa Filipa Pato, dos vinhos da Bairrada

– Lis Cereja, a brasileira que mais e melhor levanta a bandeira do vinho natural no Brasil

– Féminalise, um concurso de vinhos francês que só tem juradas

– Albiera Antinori, a primeira mulher a dirigir a tradicional vinícola italiana

– Susana Balbo, a pioneira nos vinhos argentinos

– Cecília Torres, a primeira mulher nos vinhos chilenos com o Casa Real

– Ludivine Griveau, que dirige os vinhos do Hospice de Beaune, na Borgonha

– A dupla de amigas e enólogas portuguesas Sandra Tavares e Susana Esteban

– Patricia Atkinson, e a sua aventura de elaborar vinhos franceses

 


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