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Marcelo Cerize, CEO da Inversa, conta como funciona uma casa de análise de investimentos

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Segundo executivo, uma casa de análise independente acompanha o mercado, olha as melhores empresas da bolsa e as melhores oportunidades (Crédito: Divulgação)

Muitas pessoas não têm tempo ou não querem aprender a analisar qual investimento é o mais adequado para o seu perfil e para o momento do mercado. Para ajudar essas pessoas, existem as casas de análise independentes, também chamadas de casas de research

O MoneyPlay Podcast, programa voltado para o mundo das finanças, apresentado pelo educador financeiro Fabrício Duarte, convidou Marcelo Cerize, CEO da casa de análise Inversa Publicações para explicar como essas empresas trabalham e as vantagens do serviço. 

>>> Assista aqui o vídeo na íntegra.

Cerize nasceu em São Sebastião do Paraíso, no interior de Minas Gerais. Ainda durante a faculdade de Direito, iniciou seu primeiro empreendimento – uma rádio comunitária pirata. Mas seu irmão, que já trabalhava no mercado financeiro, abriu uma gestora de investimentos e o convidou para ser seu sócio na Skopos.

Ele permaneceu por 20 anos na gestora, onde se especializou em análise, estruturação e execução de operações financeiras com foco em ações e instrumentos derivativos. Mas, há 10 meses, assumiu como CEO de uma casa de análises, também em sociedade com o irmão. 

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O que faz uma casa de análise

O CEO explica que uma casa de análise independente avalia os ativos do mercado financeiro e faz recomendações de portfólio, ou seja, quais produtos podem interessar aos investidores. “Nosso dia a dia é acompanhar todo o mercado, olhar as melhores empresas da bolsa, as melhores oportunidades”, diz.

Na Inversa, conta o executivo, há uma equipe editorial que “traduz” as avaliações em uma linguagem muito simples para facilitar o entendimento de pessoas não familiarizadas com o mercado financeiro. 

“Hoje, é um conteúdo chato, em formato PDF, enviado por e-mail. E quem tem tempo de ler um relatório de 30 páginas? Então, queremos fazê-lo em três”, afirma. “Meu foco agora é a reestruturação de todos os produtos para implementar uma análise robusta, com qualidade, mas com uma leitura simples.”

Atualmente, há análises disponíveis gratuitamente na internet ou enviadas por bancos, então muitas pessoas não veem porque pagar pelo serviço. Segundo Cerize, 75% das pessoas consomem relatórios de investimento gratuitos produzidos por corretoras e bancos.

Mas ele ressalta que é importante pagar por um serviço independente. “A gente sabe que em bancos existem conflitos e o material da internet é feito por gente que não necessariamente entende do assunto, pois não é regulamentado”, diz

Mercado 

O executivo acredita que há espaço para o mercado de análises expandir no Brasil, já que os órgãos reguladores melhoraram a legislação de proteção ao investidor, especialmente o pequeno. Hoje, 80% dos analistas das casas de research precisam ser credenciados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que normatiza, desenvolve e fiscaliza o mercado.

“No Brasil, 2% da população têm ações de empresas. No Chile, 20%. Nos Estados Unidos, são 70%. A população brasileira  não tem capacidade de poupar para investir na bolsa, mas 40 milhões de pessoas investem em poupança”, afirma Cerize. “No longo prazo, se a economia nacional não piorar, essa será a população que vai estar na bolsa.”

O executivo também aposta que as plataformas eletrônicas vão encurtar essa distância e que a digitalização vai diminuir a intermediação dessas relações que, hoje, são caras. “Investir passa por toda uma cadeia que precisa ser remunerada, não tem como ser diferente.” 

“Com tecnologias como smartphones e 5G (internet móvel de maior velocidade), tudo vai ficar mais barato e direto”, alega. “A nova geração já começa a olhar para os investimentos de forma diferente. Com a vida na palma da mão, ninguém vai falar com o gerente do banco.”

O que recomendam

Na Inversa, os analistas seguem a análise fundamentalista (avaliação das empresas de acordo com sua situação financeira, mercadológica e política). Isso significa estudar valoração, fluxo de caixa, previsões, premissas, entre outros pontos sobre as empresas.

Há sugestões de carteira de ações e de fundos que buscam pagar uma renda mensal. Algumas misturam fundo de investimento imobiliário com ações que são  boas pagadoras de dividendo e com títulos públicos que pagam cupom semestral. “O mais importante na hora de indicar uma carteira é filtrar o perfil do cliente. É preciso saber para quem você recomenda o quê”, explica

Depois de definir o perfil do cliente, é preciso escolher em qual tipo de empresa deve-se aplicar o dinheiro. Pode ser em small caps (empresas jovens que estão crescendo rapidamente) ou large caps (companhias com alta capitalização na bolsa). Também se define se vale investir em outros ativos, como criptomoedas, e quanto investir em cada um.

Cerize dá o exemplo do Nubank. “Hoje, não consigo fazer contas sobre esse banco, por que não tem dados”, alfineta. “É mais uma tese de que eles vão crescer e captar milhões de clientes para depois conseguir rentabilizar. Não digo que não vá acontecer, mas que não consigo fazer a conta disso.”

Isso não significa, esclarece o executivo, que não se deve comprar ações deste tipo, mas que é preciso saber exatamente o que se está comprando, saber eleger a sua tese de investimento e segui-la. “E, no dia que essa tese acontecer, você se desfaz do negócio. Se não acontecer, idem. Sair com lucro ou prejuízo.”

>>> Confira aqui todos os episódios do programa.