Dinheiro em foco

Marc Foster, da Western Asset

Crédito: Divulgação

Quem é e o que faz: Administrador de empresas pela FGV, com MBA em finanças pelo então Ibmec. Ingressou na Western Asset em 1999, quando a empresa ainda pertencia ao Citi. Atualmente é head da empresa no Brasil. (Crédito: Divulgação)

O brasileiro não investe no exterior?
O investidor brasileiro é muito ligado aos ativos locais. E, para evitar os riscos, a saída é a diversificação. Todo mundo conhece a imagem de não colocar todos os ovos na mesma cesta. Se ela cair no chão, todos os ovos se quebram. O que eu tenho dito é que o investidor brasileiro deve ir além e não deve colocar todas as cestas na mesma prateleira.

Como assim?
Às vezes o investidor coloca uma parte de seu capital em ações, outra parte em imóveis, títulos públicos e dívida privada e acha que está com uma carteira diversificada. Porém, se forem só ativos do Brasil, essas cestas diferentes estarão na mesma prateleira. Um solavanco que balance essa prateleira vai expor a carteira a um risco elevado.

Como diversificar?
O investidor tem de aproveitar a diversidade do mercado internacional. É possível comparar países com empresas. Alguns países têm economias pequenas, mas que desfrutam de um crescimento acelerado, seja pela produção de matéria-prima, seja pela boa inserção nas cadeias de suprimentos globais. Esses países são como empresas de alto crescimento. Outros países, como o Japão, quase não crescem, mas sua economia é extremamente estável. Um investimento no Japão vai garantir estabilidade a uma parte do portfólio. Isso sem falar em setores que hoje ainda são pouco representativos na nossa Bolsa, como as empresas de tecnologia e de pesquisa farmacêutica.

É possível notar um movimento de diversificação?
Sim. A começar pelas mudanças na legislação, que tornarão os investimentos no exterior mais acessíveis. Atualmente, investidores institucionais como os fundos de pensão fechados só podem investir 10% de seu patrimônio fora do País. Esse porcentual deve subir para 20% aos poucos, até para dar tempo ao regulador e aos profissionais da área para se acostumarem. Mas é um movimento irreversível.

Como vocês estão aproveitando essa tendência?
A Western é uma das maiores gestoras de recursos do mundo, com US$ 500 bilhões no total. No Brasil, administramos R$ 50,7 bilhões, entre fundos e outros investimentos. No início do ano passado lançamos um fundo de BDR. Começamos com 3,3 mil cotistas. Atualmente são 150 mil. Isso prova que há demanda. E nossas novas iniciativas serão fundos com uma filosofia de investimentos ESG.

NOVA CAPTAÇÃO DA ADDI

A Addi, fintech que fornece crédito para clientes de varejistas no Brasil e na Colômbia que não têm acesso a cartão de crédito, recebeu um aporte de R$ 390 milhões de fundos de venture capital como GGV, Monashees e Quona. É a segunda captação em menos de quatro meses. Em maio, ela obteve cerca de R$ 310 milhões na sua série B, chegando a R$ 700 milhões. A Addi usará os fundos para ampliar suas operações no Brasil e na Colômbia e para atuar no México no início de 2022.

AÇÕES PERDEM RECURSOS NO MÊS DE AGOSTO

Os fundos de ações sofreram perda líquida de recursos de R$ 176,1 milhões em agosto, informou na quarta-feira (8) a Anbima, associação que representa o setor. O resultado foi influenciado pelo desempenho do Ibovespa no mês, que teve perda de 2,48%. Os fundos de renda fixa registraram uma captação líquida positiva de R$ 41 bilhões A indústria de fundos captou R$ 38 bilhões, com R$ 903,8 bilhões em aplicações e R$ 865,8 bilhões em resgates.

BTG OFERECE INVESTIMENTO EM CHIPS

O BTG Pactual está lançando um fundo de investimentos dedicado aos semicondutores. A carteira vai reproduzir o índice PHLX Semiconductor negociado na bolsa eletrônica americana Nasdaq, e que contém ações de empresas como Intel, Qualcomm, NVidia e Broadcom. Denominado BTG Pactual Reference Semicondutores, o fundo é um multimercado, com taxa de administração de 0,25%, sem taxa de performance e com aplicação mínima a partir de R$ 100.

EM ALTA
7,58% 

É a estimativa de inflação em 2021 na edição mais recente do Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) na segunda-feira (6). O resultado ficou acima dos 7,27% previsto na edição anterior. A nova alta é a 22a seguida prevista pelo grupo de analistas e corresponde a mais que o dobro da meta de 3,75% definida pelo Conselho Monetário Nacional. Em julho, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 8,99%. No ano de 2021, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza a inflação, já acumulou alta de 4,76%.

EM BAIXA
235 mil 

Foi o número de empregos não agrícolas criados nos Estados Unidos no mês de agosto, o “non-farm payroll”. O número representou queda de 77% ante o 1,05 milhão de empregos criados em julho, e ficou muito abaixo das expectativas do mercado, que previam a abertura de 720 mil a 750 mil novas vagas. O resultado indica uma piora do mercado de trabalho americano, e pode levar o Banco Central dos Estados Unidos a postergar a redução das medidas de estímulo monetário, redução que o especialistas vinham prevendo.