Sustentabilidade

Manifestação contra as mudanças climáticas na Austrália

Manifestação contra as mudanças climáticas na Austrália

Cerca de 20.000 manifestantes protestam em Sydney exigindo ação climática urgente do governo da Austrália, já que a fumaça de um incêndio que sufocava a cidade fez com que os problemas de saúde aumentassem - AFP

Cerca de 20.000 pessoas pediram nesta quarta-feira ao governo de Sydney que tome medidas urgentes para combater as mudanças climáticas, no momento em que a capital experimenta picos de poluição relacionados a incêndios florestais.

Sydney está envolvida há semanas numa névoa de fumaça tóxica ligada a centenas de incêndios que assolaram o leste da Austrália.

Na semana passada, os hospitais da maior cidade do país registraram um aumento de 25% nas internações de emergência.

Na terça-feira, a fumaça acionou os detectores de incêndio em toda a megalópole e os edifícios tiveram que ser evacuados.

Algumas conexões de balsa foram canceladas e, durante o recreio, os alunos tiveram que ficar dentro das escolas.

Esses incêndios devastadores evidenciaram a questão da mudança climática. Os cientistas acreditam que este ano aconteceram particularmente cedo e têm sido intensos devido à seca prolongada e ao aquecimento global.

A manifestação desta quarta-feira reuniu cerca de 15.000 pessoas, segundo a polícia, cerca de 20.000, de acordo com os organizadores.

“O país está pegando fogo”, explicou Samuel Wilkie, de 26 anos, que participou pela primeira vez em uma manifestação contra o aquecimento global. Segundo ele, a resposta dos políticos é “patética”.

“Nosso governo não faz nada a respeito”, lamentou Zara Zoe, paisagista de 29 anos.

O primeiro-ministro Scott Morrison, fervoroso defensor da indústria de mineração, não falou muito sobre as fumaças tóxicas, preferindo se concentrar nos municípios rurais afetados pelas chamas.

A fumaça dos incêndios florestais é uma das principais causas da poluição atmosférica na Austrália.

Libera partículas finas que podem se alojar profundamente nos pulmões e ter, a longo prazo, consequências “sérias” para a saúde, segundo o cientista Mick Meyer, do CSIRO, um organismo de pesquisa científica financiado pelo governo.

“Na maioria das pessoas, causa sintomas leves”, disse Richard Broome, diretor do Departamento de Saúde. “No entanto, em pessoas com asma, enfisema e angina de peito podem desencadear sintomas”, acrescentou.

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