Finanças

Luz para as pequenas empresas

Fundo alimentado por doações de pessoas físicas tR$ 14 milhões a pequenos empreendedores prejudicados pela pandemia.

Crédito: Keiny Andrade

Eduardo Mufarej: Para o idealizador do Estímulo 2000, a inspiração nos modelos americanos de apoio aos empresários. (Crédito: Keiny Andrade)

Em março, quando os governos estaduais decretaram quarentenas para reduzir a pandemia, o empresário Eduardo Mufarej percebeu que seria necessário fazer algo para que as pessoas pudessem continuar vivendo. Ele colocou em pé uma iniciativa chamada União SP contra o coronavírus. Mufarej mobilizou doadores e arrecadou 500 mil cestas básicas. Porém, ele logo percebeu que se não estendesse a ajuda às pequenas pessoas jurídicas, o desemprego aumentaria e a conta da cesta básica só iria crescer.

Mufarej se inspirou nos exemplos internacionais e criou um fundo, denominado Estímulo 2020. O fundo capta doações para conceder crédito a pequenos empreendedores. Lançado em 1º de maio, o Estímulo 2020 já angariou R$ 150 milhões. “Eu busquei inspiração no modelo americano dos relief funds, fundos emergenciais que lá existem como tipo jurídico”, disse Mufarej.

A iniciativa vai na contramão do mercado. Enquanto os bancos restringiram a concessão de crédito devido ao aumento do risco de inadimplência, o Estímulo 2020 se propôs a liberar recursos de forma rápida e com juros de 4% a 6,5% ao ano, bem inferiores ao custo do crédito bancário. Até a terceira semana de agosto, 504 empresas contraíram R$ 14,1 milhões em financiamentos. A demanda é bem maior que a oferta: até agora, a plataforma já processou 17 mil pedidos de empréstimo, vindos de todos os Estados brasileiros e que solicitaram R$ 7,5 bilhões em crédito.

O volume dos pedidos mostrou a dimensão da escassez de crédito provocada pela pandemia. Mufarej sabe disso, “Não temos a pretensão de resolver o problema, pois isso é uma conta de trilhão de reais”, afirmou. Mesmo assim, Mufarej não reclama. “Começamos com R$ 20 milhões”, disse ele. “Eu ficaria satisfeito se chegássemos a R$ 100 milhões, mas já ultrapassamos esse valor”.

APOIO O fundo tem o apoio de nomes importantes, como o empresário Abilio Diniz. Ele foi um dos primeiros a contribuir, com uma doação de R$ 5 milhões, e tem se empenhado pessoalmente na ajuda aos pequenos empresários, fazendo mentoria por meio de lives. Ele vem afirmando que não existem programas ou recursos de governos capazes de resolver um problema tão urgente, tão amplo e tão disseminado, daí a importância do apoio empresarial. “O setor privado pode atuar com mais agilidade e gerar novos recursos para ajudar essas empresas”, afirmou. “Em momentos agudos como o atual, ter um apoio rápido e acessível pode fazer toda a diferença”.

O apoio também veio de empresas do porte da companhia elétrica Engie, do Rio de Janeiro, que contribuiu com R$ 1 milhão. A empresa já havia doado equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde, e cestas básicas para as comunidades carentes que ficam próximas da sede da companhia. “A informação sobre esse fundo caiu como uma luva porque era a sequência do que desejávamos fazer, que era ajudar pequenos empreendedores”, afirmou o presidente da Engie, Mauricio Bähr.

Os empréstimos são destinados a empreendimentos formais que existam há pelo menos dois anos e faturavam de R$ 30 mil a R$ 165 mil por mês antes da pandemia. Não há necessidade de apresentar garantias, mas é preciso ter um histórico de bom pagador. Um dos beneficiados foi Marcone Moraes, sócio da G. Rock. A loja voltada aos roqueiros paulistanos funciona na Galeria do Rock, no centro da cidade, desde o início dos anos 1990. As contas desafinaram em abril, depois que Moraes recebeu um não do banco em que é cliente há décadas. Ele conseguiu R$ 27 mil do fundo, que deverão ser quitados em 15 parcelas. Como a carência é de três meses, a primeira prestação foi paga no dia 20 de agosto. Os recursos foram usados para pagar os salários dos dois funcionários que ainda trabalham na loja, reforçar o fluxo de caixa e garantir a sobrevivência da família. “Vínhamos de um período de recuperação e a pandemia nos surpreendeu. Procuramos vários bancos, mas ninguém emprestou”, disse Moraes.

Após a pandemia, o empreendedor diz pretender transformar a iniciativa em algo permanente. “Esse início mostra que o dinheiro vai voltar. A ideia é que o fundo se retroalimente e permita apoiar novos empreendimentos”, disse Mufarej.

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