Investidores

Lucros em série

Temporada de resultados das empresas americanas no quarto trimestre começa com valorizações espetaculares.

Crédito: Divulgação

203 MILHÕES DE ESPECTADORES Aumento do número de assinantes da Netflix permitirá à empresa financiar seu crescimento com recursos próprios. (Crédito: Divulgação)

Dentre os milhares de filmes, séries e desenhos do catálogo da Netflix, nada atraiu tanta atenção quanto uma história sem atores, cenários ou roteiro. O maior sucesso da empresa líder em serviço de streaming foram seus resultados do quarto trimestre, divulgados na noite da terça-feira (19). Na ponta do lápis, ele veio 12,5% abaixo das expectativas. O lucro por ação foi de US$ 1,19, ante estimativas de US$ 1,36 (observe o quadro). No entanto, o que provocou os aplausos — e uma alta de 15% nas cotações — foi a notícia de que a companhia havia conquistado 8,5 milhões de assinantes pagantes no quarto trimestre, elevando o total mundial para 203 milhões de espectadores. O número é 21,9% maior que o divulgado no fechamento de 2019. Com isso, a margem financeira da empresa elevou-se para 14,4% ao ano, quase um ponto percentual acima dos 13,5% estimados pela própria companhia para o período.

O que mais animou os analistas, apesar de o lucro ter ficado um pouco abaixo do esperado, foi o fato de que a empresa não perdeu seu ímpeto de crescimento registrado no início da pandemia, quando o aumento do número de trabalhadores em home office fez os resultados da Netflix disparar. Atire a primeira pedra — ou o primeiro controle remoto — quem nunca roubou alguns minutos entre lives com colegas de trabalho para dar uma conferida na série favorita. Além disso, a companhia promete tornar-se uma geradora recorrente de caixa, o que, nas palavras do CEO Spence Neumann, permitirá mudar a temporada nas finanças. “Com 200 milhões de assinantes poderemos passar a financiar nosso crescimento a partir de recursos próprios, sem depender de financiamentos”, disse ele ao comentar os resultados.

O caso da Netflix foi apenas um em uma série de resultados que prometem ser espetaculares. Tradicionalmente, a temporada de balanços nos Estados Unidos é aberta pelos grandes bancos, que divulgam seus resultados nos primeiros dias do ano. Em 2021 não foi diferente. E, sem exceção, todas as grandes instituições financeiras americanas superaram os prognósticos, em alguns casos com resultados até 55% superiores às estimativas do mercado — caso do Morgan Stanley. O maior e mais sofisticado banco de investimentos americano beneficiou-se tanto do aumento da liquidez quanto da ampliação da volatilidade global dos mercados provocada pela eleição nos Estados Unidos e pelas incertezas da pandemia.

Mesmo os bancos de varejo, em que os ganhos com a volatilidade do mercado são menores, divulgaram bons resultados. Foi o caso do Citigroup e do Wells Fargo, duas das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos. Os bons números do Citi deveram-se mais a fatores técnicos. Ao notar que a inadimplência não era tão elevada quanto temia em meados do ano, o banco tirou da gaveta o capital que havia guardado para fazer frente aos calotes. Na bizantina linguagem dos contadores, o nome técnico é reversão de provisões contra devedores duvidosos. O Citi reverteu US$ 1,5 bilhão em provisões no trimestre, aumentando os lucros e colocando esse capital para trabalhar, o que melhorou ainda mais os resultados. No caso do Wells Fargo, o lucro subiu apesar de as receitas terem recuado.

ALTA DAS AÇÕES Para os acionistas dos bancos, esses números representam uma valorização potencial de seus papéis. Como parte das medidas de estímulo à economia, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) havia proibido que os bancos usassem capital para recomprar ações. As recompras só seriam autorizadas quando as instituições financeiras voltassem a apresentar lucros. Com os resultados do quarto trimestre, o excesso de capital dos bancos deve ser usado nas recompras.

Os bons resultados do sistema financeiro e da Netflix não devem ser casos isolados. Eles apenas confirmam uma projeção de analistas e investidores, de que as grandes companhias abertas aproveitaram as restrições da pandemia para colocar em prática medidas de economia e de aumento de eficiência. Isso, e os juros a zero, fez com que os diretores financeiros aproveitassem a oportunidade para renegociar dívidas com taxas mais baixas, desocupar escritórios e substituir deslocamentos por reuniões virtuais.

Algo semelhante deve aparecer nos resultados das companhias abertas brasileiras. Salvo as empresas dos setores mais prejudicados pela pandemia, como turismo, os resultados deverão ser melhores do que os números divulgados nos trimestres anteriores de 2020. Uma prévia operacional das incorporadoras mostra que o setor prosperou no fim do ano passado, algo que deve se espalhar pelos demais setores da Bolsa.

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