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Londres participará de missão de segurança marítima com EUA no Golfo

Londres participará de missão de segurança marítima com EUA no Golfo

(Arquivo) No domingo, o Irã anunciou ter apreendido um petroleiro estrangeiro no Golfo, o terceiro em menos de três meses naquela região - AFP/Arquivos

O Reino Unido anunciou, nesta segunda-feira (5), que irá participar de uma “nova missão internacional de segurança marítima” ao lado dos Estados Unidos para proteger navios mercantes no Golfo, uma região estratégica no centro das tensões com o Irã.

“Esta implantação aumentará a segurança e tranquilizará o transporte marítimo”, disse o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, em um comunicado.

Em nota, o ministro da Defesa, Ben Wallace, afirmou que “o Reino Unido está decidido a proteger seus navios contra as ameaças ilegais, e é por isso que hoje nos unimos à nova missão de segurança marítima no Golfo”.

O anúncio marca uma mudança na postura do governo britânico, que tem um novo premiê – o conservador Boris Johnson – desde o final de julho. Anteriormente, Londres havia manifestado seu desejo de pôr em curso uma missão de proteção com os países europeus, em resposta à captura, por parte do Irã, de um petroleiro com bandeira britânica no Estreito de Ormuz.

Diante das tensões no Golfo, em junho, Washington pôs sobre a mesa a ideia de compor uma coalizão, mas angariou pouco apoio. Seus aliados ainda temem serem envolvidos em um conflito com o Irã.

O ministro das Relações Exteriores garantiu que o anúncio não significa uma mudança na política britânica em relação ao Irã.

“Continuaremos comprometidos com trabalhar com o Irã e nossos sócios internacionais para desbloquear a situação e manter o acordo” sobre o programa nuclear iraniano, ressaltou Raab.

EUA e Irã estão envolvidos em uma queda de braço sobre a questão nuclear desde 2018, quando Washington decidiu se retirar unilateralmente, em maio, deste acordo. Na sequência, também reinstalou as sanções americanas contra o Irã.

A escalada foi amplificada em maio e junho deste ano, em meio à troca de acusações sobre ataques a cargueiros no Golfo (atribuídos ao Irã pelos EUA) e pela destruição por parte dos iranianos de um drone americano em junho.

No domingo, o Irã anunciou ter apreendido um petroleiro estrangeiro no Golfo, o terceiro em menos de três meses naquela região.

O anúncio britânico foi feito pouco depois de o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, afirmar que os Estados Unidos agem sozinhos contra Teerã e que seus aliados têm “vergonha” de se unir a uma coalizão para escoltar os petroleiros no Golfo.

A ideia é que cada país proteja militarmente seus navios mercante com o apoio do Exército americano. Nesse plano, os EUA garantiriam a vigilância aérea dessa zona e o comando das operações.

Os europeus mantêm suas reservas, preferindo não se associar à política de “pressão máxima” sobre o Irã promovida por Donald Trump. Em meio à crise, ainda tentam preservar o acordo sobre a questão nuclear iraniana concluído em 2015 com Teerã. Washington se retirou do pacto em 2018.

“Um piromaníaco não pode ser bombeiro”, disse Zarif, insistindo em que, desde a chegada dos americanos à região, há apenas “violência, guerra e massacre”.

Depois de as autoridades iranianas interceptarem um petroleiro britânico, Londres decidiu fornecer escolta militar às embarcações civis que navegarem pelo Golfo.

Apesar da política de sanções e da animosidade entre EUA e Irã, sem relações diplomáticas desde 1980, o governo Trump fez alguns apelos a Teerã para que haja diálogo.

Nesta segunda, Zarif disse ter recusado um convite para se encontrar com Trump na Casa Branca. A recusa, afirma ele, iria lhe render sanções. Antes de Zarif, o guia supremo Ali Khamenei já havia sido alvo de sanções americanas.

“Eles querem apenas impor sua vontade ao Irã. Eles não devem ter a expectativa de que vamos negociar enquanto estiverem engajados num terrorismo econômico”, completou.

Ainda assim, Zarif não fechou as portas para negociações com Washington.

“As negociações e a diplomacia nunca vão parar (…) Mesmo em tempos de guerra haverá negociações”, frisou.