Economia

Londres não deve condicionar negociação pós-Brexit a eleições nos EUA, diz diplomata

Londres não deve condicionar negociação pós-Brexit a eleições nos EUA, diz diplomata

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson na Câmara dos Comuns em Londres - UK PARLIAMENT/AFP

O Reino Unido não deve esperar pelo resultado da eleição presidencial dos Estados Unidos para avançar em suas negociações comerciais pós-Brexit com a União Europeia, disse um enviado do governo americano nesta quinta-feira (5).

Vários meios de comunicação britânicos afirmaram que Londres havia paralisado as negociações com Bruxelas, enquanto esperava para descobrir se o vencedor das eleições presidenciais de terça-feira foi Joe Biden ou Donald Trump.

É “simplesmente falso”, negou um porta-voz de Downing Street. “Dissemos repetidamente que o tempo está se esgotando e que realmente precisamos avançar para preencher a lacuna que ainda existe entre o Reino Unido e a UE”, disse.

Um rompimento brutal sem acordo seria mais bem recebido por Trump do que por seu rival democrata, abrindo caminho para um grande acordo de livre comércio com os Estados Unidos, no qual Londres tem grandes expectativas.



Mas o enviado especial de Washington para a Irlanda do Norte, Mick Mulvaney, advertiu que as eleições nos Estados Unidos podem não ser resolvidas até “final de novembro, início de dezembro”. E disse “desaconselhar o governo britânico a esperar pelo resultado”.

Menos de dois meses após o fim da transição pós-Brexit, esperar mais para fechar um acordo com a UE pode ser “autodestrutivo”, alertou Mulvaney em videoconferência com o Instituto de Assuntos Internacionais e Europeus (IIEA), um ‘think tank’ de Dublin.

O Reino Unido deixou oficialmente a União Europeia no final de janeiro, mas continua sujeito às regras da UE até o final do período de transição, em 31 de dezembro.

Na ausência de um acordo comercial até aquela data, as relações entre as duas partes seriam regidas pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), que envolvem altas tarifas e teriam consequências potencialmente desastrosas para uma economia britânica já bastante enfraquecida pela pandemia do novo coronavírus.

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