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Loja com propósito. E muita atitude

Os planos de Yan Ragede para transformar a Afrobox numa vitrine global de grifes de roupas e acessórios da periferia de Salvador

Loja com propósito. E muita atitude

Quando entrou na faculdade em 2015, o soteropolitano Yan Ragede, 27 anos, decidiu apostar na criação de um e-commerce de roupas e acessórios importados, como forma de rentabilizar a rede de contatos que ia amealhando diariamente no campus da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Os produtos colocados à venda tinham como referência a cultura hip hop dominante na Costa Oeste dos Estados Unidos, na qual os músicos e MCs fazem questão de desfilar em carrões, exibir diversas correntes de ouro e anéis de diamante. Foi assim que nasceu a loja virtual Ostentação. A ideia era importar artigos de grifes deste multimilionário universo, muitas das quais assinadas por rappers famosos.

Produção caseira: peças publicitárias e style dos desfiles são planejados por Yan e sua irmã Jéssica

Menos de dois anos depois, o negócio sofreu uma guinada radical. Não que faltassem clientes. Ao contrário. O que motivou Yan foi uma observação mais aguçada do mundo em que vivia, além de uma proximidade maior com a moda étnica, da Bahia. “Ao longo do curso de história fui ampliando minha consciência racial e entendi que, muito mais do que um empreendedor, poderia me converter num agente de mudanças sociais”, diz. Neste novo contexto, a grife Ostentação deu lugar à Afrobox, uma loja multimarcas que trabalha apenas com grifes afro-brasileiras.

Assista ao videoclipe de lançamento da Afrobrox:

A cultura hip hop continua presente. No entanto, dentro de uma filosofia diferenciada. “Saí do luxo ostentação para um negócio que possui um propósito maior do que apenas vender roupas e acessórios”, destaca. E isso se dá a partir da seleção dos fornecedores que ocupam as araras e as vitrines dos três pontos de venda: no Salvador Shopping e no Norte Shopping, no espaço mantido pelo Centro Público de Economia Solidária (CEsol), ligado ao governo da Bahia; além de um corner shop no estúdio de tatuagem Gaborel Tatoo, situado na orla da praia de Itapoã. São 15 grifes de roupas, calçados e acessórios, sendo 13 produzidas na Região Metropolitana de Salvador, uma no Ceará e outra em São Paulo.

Espaço na Feira Preta 2017, em SP, rendeu matéria na TV

As campeãs de vendas são a Black Atitude, de Salvador, e a paulistana Laboratório Fantasma, do rapper Emicida, conhecido por sua consistente trajetória na música e também no mundo empresarial. Para administrar o negócio Yan desenvolveu um software que faz a gestão das vendas, dos estoques e da liquidação financeira (comissões, taxa de retorno etc.) de cada transação. Tanto dos fornecedores quanto dos lojistas.

Apesar do relativo sucesso obtido até agora na vertente do empreendedorismo com propósito – Yan se tornou presença constante em seminários, eventos makers e feiras de moda –, a Afrobox ainda é uma marca em construção. Nosso próximo passo é a criação de um marketplace virtual para que o trabalho de comercialização das grifes deixe de mirar apenas o público local e tenha um alcance global”, destaca. O olhar internacional está presente desde o início da jornada empreendedora. Haja vista o instigante slogan Dos Afros pro Mundo, que ancora as peças publicitárias desenvolvidas por Yan e sua irmã Jéssica Rosário, que trabalha como produtora de moda.

Relógios de madeira reciclada com divindades afros

Com o marketplace, cujo lançamento deve ocorrer até o final do primeiro semestre de 2018, o criador do Afrobox espera ampliar a parceria para um total de 30 marcas, distribuídas numa rede de sete pontos-de-venda espalhados por Salvador. Para isso, ele diz que serão necessários investimentos em torno de R$ 100 mil. A viabilização deste projeto vem tirando o sono do jovem empreendedor.

Essa nova guinada no modelo de negócios, pensado para ser uma rede de franquias, ocorreu em função de um grande revés sofrido em meados deste ano, com o fechamento da loja situada no Shopping da Gente. Yan calcula em R$ 35 mil o prejuízo com o negócio. “O proprietário do empreendimento não cumpriu diversas cláusulas contratais. Por isso, decidi abandonar o ponto-de-venda e buscar meus direitos na Justiça”, conta.


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