Agronegócio

Lockdowns trazem impactos de curto prazo em produção e oferta de produtos, diz BC


Brasília, 26 – O Banco Central fez nesta quinta-feira, 26, por meio de seu Relatório Trimestral de Inflação (RTI), uma avaliação dos efeitos dos “lockdowns” (bloqueios) sobre as economias dos países, na esteira da pandemia do novo coronavírus.

“A disseminação de Covid-19 em âmbito global tem levado vários governos a restringir a circulação de pessoas e, mais recentemente, a impor lockdowns, como forma de retardar a disseminação do vírus e, dessa forma, reduzir a sobrecarga sobre os sistemas de saúde locais”, registrou o BC em um boxe do RTI.

“Essas medidas, adotadas com o objetivo de conter a velocidade de propagação do vírus, trazem impactos no curto prazo sobre linhas de produção e oferta de produtos e serviços, além de implicarem recuos significativos na demanda por bens e serviços em determinados segmentos, elevando o desemprego e reduzindo a renda do trabalho”, acrescentou a instituição.

Potência da política monetária

O RTI traz também um boxe sobre o aumento da potência da política monetária tanto sobre o mercado de crédito como sobre a inflação. O documento realiza dois exercícios independentes, sobre cada um desses fatores.

O documento mostra que o crédito bancário passou por alterações nos últimos anos que tendem a aumentar a potência da política monetária, como a maior participação dos empréstimos com recursos livres no crédito total e a mudança na taxa de juros utilizada nas concessões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A alteração na forma de remuneração dos depósitos de poupança é outro fator citado pelo BC.

“No mesmo sentido, a evidência preliminar trazida por modelo semiestrutural é compatível com a hipótese de mudança na transmissão da política monetária, sugerindo que a sensibilidade da inflação a variações da Selic aumentou no período mais recente”, completa o BC.

China

O Banco Central ainda avaliou nesta quinta, por meio de seu RT), que a normalização do ritmo da atividade econômica na China está sendo postergada para o segundo semestre de 2020. Em boxe que analisa os efeitos da epidemia do novo coronavírus na economia global, o BC ponderou que, anteriormente, esperava-se que isso ocorresse ainda no segundo trimestre do ano.

De acordo com o BC, a normalização vai sendo postergada para o segundo semestre em função de três fatores: “i) a abrupta paralisação causada pelas rígidas medidas de lockdown impostas pelo governo chinês, que alcançou atividades de grande complexidade nas cadeias globais de produção; ii) a disseminação rápida do novo coronavírus fora da China, afetando parceiros comerciais importantes; e iii) as dificuldades para o retorno à normalidade do trabalho e do consumo sob risco de uma segunda onda epidêmica”.

Neste cenário, conforme o BC, projeções indicam redução de aproximadamente 2 pontos porcentuais no crescimento da China para 2020. “Apesar de a China ter alcançado a fase de desaceleração do ciclo de contágio do novo coronavírus, as repercussões de uma desaceleração global deverão ser relevantes”, diz o BC.