Negócios

Locadoras procuram uma saída

Pedido de proteção contra falência da Hertz nos EUA e no Canadá acende o sinal de alerta num dos setores mais prejudicados pela pandemia em todo o mundo.

Crédito:  Cindy Ord

Se houvesse um ranking de atividades econômicas mais prejudicadas pela pandemia de Covid-19 em todo o mundo, certamente o setor de locação de veículos – ao lado de companhias aéreas e hotelaria – ocuparia uma das primeiras posições. Na última semana, um sinal claro da dificuldade das locadoras partiu da americana Hertz, que recorreu à Justiça para pedir proteção contra a falência nos Estados Unidos e no Canadá, com dívidas que chegam a US$ 19 bilhões. No Brasil, esse mecanismo é semelhante ao de uma Recuperação Judicial. “O impacto da Covid-9 na demanda de viagens foi repentino e dramático, levando a uma queda acentuada na receita da empresa e reservas futuras”, justificou a companhia, em comunicado.

A empresa afirmou, ainda, que a decisão foi necessária para priorizar funcionários e clientes, eliminando todas as despesas não essenciais. “Permanece a incerteza sobre quando as receitas retornarão e quando o mercado de veículos usados voltará a reabrir inteiramente às vendas, o que exigiu ação imediata”, disse a companhia. As principais regiões operacionais globais da Hertz, incluindo Europa, Austrália e Nova Zelândia, ficaram de fora do pedido de falência. Em abril, a empresa havia anunciado o corte de 10 mil empregos na América do Norte, 26,3% de sua força de trabalho global, para economizar dinheiro após o confinamento pelo coronavírus paralisar as viagens e a economia. Mas, desde o início da crise, em fevereiro, o grupo já demitiu 20 mil pessoas, metade da sua força de trabalho global.

VIDA QUE SEGUE Dona da marca Hertz no Brasil, a Localiza garante que risco de falência nos EUA não vai afetar os negócios no País. (Crédito:Divulgação)

Como as franquias Hertz não são de propriedade da empresa, não estão incluídas no processo de recuperação. Por isso, a operação brasileira, comprada pela Localiza por R$ 337 milhões, em 2017, seguirá com as operações normais. Procurada pela reportagem, a Localiza não quis conceder entrevista. Por nota, a companhia afirmou que a situação da Hertz não gera impacto nas operações da Localiza. “A Hertz Corporation, conforme anunciado, continuará realizando, normalmente, todos os seus atendimentos e operações. A Localiza continua monitorando a situação”, informou. “A Localiza esclarece que não possui vínculo operacional e não há qualquer cruzamento de estrutura societária ou financeira com a Hertz. São organizações independentes, possuem governanças diferentes e atuam em mercados distintos.”

O tamanho dos problemas do setor de locação de veículos neste ano será diretamente proporcional à duração das políticas de isolamento social e paralisação de parte da economia brasileira. Segundo Paulo Miguel Junior, presidente da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), o segmento de locações diárias desabou 90% desde o inicio da pandemia. O aluguel de carros para motoristas de aplicativos caiu 80%, enquanto os contratos com terceirização de frotas, que respondem por 52% das receitas das 10,8 mil empresas do setor, recuaram 20%. “Como estamos parados há cerca de 70 dias, as pequenas locadoras estão vendendo suas frotas para fazer caixa e reduzir o sufoco financeiro durante a paralisação econômica”, afirma o executivo.

“Paradas há 70 dias, as pequenas locadoras estão vendendo frotas para fazer caixa” Paulo Miguel Junior, Presidente da Associação do Setor. (Crédito:Divulgação)

A crise representa uma reversão de rota para o setor. No ano passado, turbinado pela popularização de aplicativos de transporte como Uber e 99, o mercado brasileiro de locação de veículos faturou 21,8 bilhões, quase 43% acima dos R$ 15,3 bilhões registrados em 2018. “Ainda é difícil calcular qual será o impacto da crise sobre as locadoras, porque não sabemos quanto tempo isso tudo vai durar. Mas é certo que teremos um atraso significativo na renovação de frotas e o fechamento das pequenas locadoras que não têm caixa para se manter por muitos meses”, afirma Miguel Junior.

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