Linha Miolo Single Vineyard evidencia expressão da uva e do terroir

Linha Miolo Single Vineyard evidencia expressão da uva e do terroir

A linha completa, com os rótulos Alvarinho, Riesling, Pinot Noir, Syrah, Touringa Nacional e Cabernet Franc: uvas colhidas em vinhedos únicos e preço médio em torno de R$ 60 por garrafa

Lançada há três anos com a proposta de renovar a marca Miolo e enfatizar a personalidade de vinhos varietais nos terroirs em que cada uva comprovou maior potencial, a linha Miolo Single Vineyard (vinhedo único) acaba de ganhar mais uma edição, agora com uma nova casta: a Cabernet Franc com selo de Indicação de Procedência (IP) da Campanha Gaúcha. Ela chega para completar o portfólio formado pelas brancas Alvarinho e Riesling Johannisberg, além das tintas Pinot Noir, Syrah e Touriga Nacional. Com preço em torno de R$ 60 por garrafa, os rótulos apresentam uma imbatível relação de custo x benefício. Sobretudo quando se observa o rigor demandado em cada etapa da produção.

O trabalho, desde o vinhedo até a vinificação, foi detalhado em uma degustação on-line de dois dos rótulos (Alvarinho e Cabernet Franc) feita para jornalistas na noite da quinta-feira (26). A apresentação coube aos enólogos Miguel Vicente de Almeida e Adriano Miolo, presidente da vinícola com seu sobrenome. Há 14 anos no Brasil, o português Miguel foi o responsável pela introdução da casta Alvarinho na região da Campanha, especificamente no Seival, uma propriedade pioneira cujo primeiro vinhedo data de 1888. A ideia de plantar Alvarinho não agradava o patrão, Adriano. O convencimento se deu por tratar-se da principal uva branca portuguesa, que Miguel chama de “Riesling de Portugal”. E a Miolo já havia conseguido bons resultados com a conterrânea Touriga Nacional (cujo Single Vineyard da Campanha recebeu recentemente 93 pontos do Guia Descorchados). Em 2011, ano da primeira safra de Alvarinho, foram pouco mais de 2 mil garrafas, com o vinho fermentado em madeira. A que agora chega ao mercado é de 2021, sem passagem por barrica. Aromaticamente floral, na boca ele é longo, retilíneo e de boa mineralidade. “O melhor Alvarinho que já fizemos”, afirmou Miguel.

Um dos grandes trunfos da linha Miolo Single Vineyard é oferecer produtos que resultam de apurado trabalho técnico, mas a preços acessíveis para o dia a dia. Esse desafio começou anos atrás com o mapeamento dos vinhedos e a definição de parcelas a partir de suas características de solo, densidade das plantas e exposição ao sol. No caso da Cabernet Franc, sua “descoberta” se deve, segundo Adriano, à observação dos vinhedos da Almadén, empresa de origem californiana que se estabeleceu no Brasil na década de 1970 e foi adquirida pela Miolo em 2009. Desde então, foram mapeadas 138 parcelas, das quais 111 estão em produção. Em meio aos 450 hectares de vinhedos produtivos da Almadén há 310 hectares de áreas de preservação, que incluem trechos de águas represadas, as chamadas sangas. O Cabernet Franc da linha Single Vineyard é produzido com uvas da parcela conhecida como Sanga do Jacaré. Segundo Adriano, o nome se deve à presença do réptil por ali.

Antes de ser explorada como monovarietal, a Cabernet Franc da Almadén era usada em cortes de Cabernet Sauvignon. “Até percebermos que era possível fazer algo diferente com essa uva, que se encaixou perfeitamente na proposta da linha Single Vineyard”, disse Adriano. O rótulo chega ao mercado em um momento no qual a casta tem despertado maior interesse por parte do consumidor. “Foi uma das primeiras vitis viníferas da Serra Gaúcha e chegou a ser muito produzida, mas perdeu espaço para a Cabernet Sauvignon por falta de conhecimento dos produtores”, disse Adriano.



Ao resgatar essa uva, a partir de um trabalho tão exaustivo quanto revelador na Campanha, a Miolo conseguiu chegar a um vinho elegante, redondo, de taninos macios. O resultado reflete não apenas o esforço para extrair o melhor do campo a partir dos microlotes em que as uvas foram plantadas, ainda em 1999, a uma densidade de apenas 2.525 pés por hectare. Na vinificação, ele mereceu todo o cuidado para expressar a tipicidade da uva. A maceração foi longa, de 30 dias, com fermentação malolática ainda com as cascas. A passagem por barricas de carvalho francês de segundo uso, por 12 meses, garantiu não só o arredondamento dos taninos, quase doces no final, mas também a complexidade de aromas, com toques de especiaria que se somam aos de frutas vermelhas, anis e eucalipto, típicos da variedade. “No nariz, seguramente ele vai evoluir nos próximos três ou quatro anos”, afirmou Adriano. Assim como o Alvarinho, esse é um vinho que custa pouco pelo tanto que entrega. E que tem tudo para se tornar um grande sucesso de vendas.

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Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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