Dinheiro em Ação

Light pretende captar R$ 2,5 bilhões

Light pretende captar R$ 2,5 bilhões

Papéis avulsos

A Light vai realizar uma oferta pública de 111,1 milhões de ações. Serão 100 milhões de ações novas emitidas e mais 11,1 milhões em uma oferta secundária na qual será vendida uma participação da Cemig na Light. Ao preço de fechamento da segunda-feira 1, de R$ 18,85, a oferta da Light pode movimentar até R$ 2,5 bilhões, considerado o lote adicional de até 20% da quantidade original. Após a venda, a participação acionária da estatal mineira deve sair dos atuais 49,9% para 29%. A Light está nos planos de venda de ativos da Cemig, que precisa levantar recursos para reduzir o endividamento. Segundo os analistas da Guide, GP Investments, Neoenergia e a italiana Enel teriam interesse no ativo. “Embora positiva, a saída de acionistas relevantes e diluição da participação dos minoritários podem trazer alguma pressão de baixa”, escrevem os analistas da Guide.

 

Bancos

Santander reduz juros do crédito imobiliário

O Santander reduziu os juros do crédito imobiliário de 8,99% para 7,99% ao ano, mais a taxa referencial (TR). As condições irão vigorar por 60 dias, período da campanha, em que o banco fechou uma parceria com a Magazine Luiza. A presidente do Conselho de Administração da varejista, Luiza Trajano, vai estrelar o filme publicitário da ação. E os clientes que contratarem crédito imobiliário a partir de propostas cadastradas e aprovadas dentro do período vão ganhar uma geladeira. As ações do banco sobem 11,2% no ano, e as da varejista, 18%.

 

Petróleo

Petrobras quer levantar R$ 9,3 bi com ações da BR Distribuidora

A Petrobras deve levantar cerca de R$ 9,27 bilhões com a venda das ações da BR Distribuidora. Segundo o prospecto divulgado na quarta-feira 3, serão colocadas à venda 291,25 milhões de ações ordinárias, com opção de um acréscimo de 35% caso haja demanda para os lotes adicional e suplementar. No pregão de terça-feira 2, as ações encerraram a R$ 23,60. Na oferta subseqüente, ou follow on, a Petrobras vai vender de 25% a 33,75% de sua participação na distribuidora. Com isso, a participação acionária deve sair dos atuais 71% para 46%. As ações da BR Distribuidora sobem 1% no ano.

 

Tecnologia

Totvs vende Bematech em busca de foco

A Totvs vendeu para o grupo americano de private equity Reason Capital por US$ 5 milhões a Bematech International Corporation. O negócio se insere na estratégia da Totvs de deixar as operações de hardware (equipamentos), para se focar na de software (programação). A Totvs havia comprado a Bematech em 2015 por R$ 550 milhões. Em maio deste ano, a Elgin comprou as operações brasileiras da Bematech por R$ 25 milhões. As ações da Totvs sobem 67% no ano.

 

Destaque no pregão

SulAmérica vai sair dos seguros automotivos

A SulAmérica recebeu uma oferta da Allianz para vender sua operação de automóveis e ramos elementares. Caso aceite a proposta, cujo valor não foi revelado, a SulAmérica vai se concentrar nos segmentos de saúde, odontologia, vida, previdência e gestão de ativos. Ainda não há nada definido, esclareceu a empresa, que viu as ações fecharem com alta acima de 5%, enquanto o Ibovespa caiu 1%. No ano, as ações da SulAmérica sobem 39,9%, contra 14,5% do Ibovespa. “Como as ações mostraram, as notícias são positivas e essa situação proporciona à SulAmérica a opção de escolher entre diversificação ou um foco maior em seu principal negócio, de saúde”, escreve André Martins, da XP.

Palavra do analista:
André Martins estima que o valor da transação pode variar entre R$ 2,6 bilhões e R$ 3,2 bilhões. O analista reiterou sua visão construtiva em relação ao seguro de saúde, e a recomendação de compra para as ações da Sul América, com preço-alvo de R$ 43, o que embute um potencial de valorização de 8,5% até o fim do ano.

 

Touro x Urso

Sem grandes novidades, seja no avanço da reforma da Previdência no Brasil, ou num acordo comercial entre Estados Unidos e China, o Índice Bovespa ainda não conseguiu se afastar muito dos 100 mil pontos. Após fechar pela primeira vez acima dessa marca há duas semanas, o benchmark segue próximo do patamar, tendo fechado aos 102 mil pontos no pregão de quarta-feira 3.

 

 

Mercado em números

SANTANDER
R$ 850 milhões – Serão os juros sobre o capital próprio que o banco vai pagar aos seus acionistas a partir de 31 de julho, para aqueles com posição em 5 de julho

EZTEC
R$ 48,8 milhões – É o Valor Geral de Vendas (VGV) do empreendimento lançado pela incorporadora na zona sul de São Paulo, com 92 unidades com 66 e 80 metros quadrados

B3
38,5 milhões – Será a quantidade de ações ordinárias de emissão própria que poderão ser recompradas até fevereiro de 2020

HAPVIDA
4 milhões – Foi a quantidade de beneficiários de planos de saúde e odontológicos alcançada pela empresa em abril, uma alta de 9,8% na comparação com o mesmo período de 2018

NEOENERGIA
12,9% – Foi a alta acumulada pelas ações nos dois primeiros pregões de negociação na bolsa após o IPO

 

Número da semana

0,2%

Foi a queda dessazonalizada da produção industrial em maio em relação a abril, segundo informou o IBGE na terça-feira 2. Em comparação com maio do ano passado, porém, a produção industrial cresceu 7,2%. O crescimento expressivo deveu-se a um acidente estatístico. Em 2018, a atividade da indústria havia despencado devido à greve nacional dos caminhoneiros. O resultado veio em linha com os prognósticos do mercado, que previam uma retração de 0,3%. Entre as categorias econômicas, a produção de bens de capital avançou 0,5%, mas a produção de bens de consumo durável recuou 1,4%. A indústria de transformação recuou 0,5%, enquanto a indústria extrativa avançou 9,2%, compensando a forte queda do mês anterior devido ao acidente com a Vale em Brumadinho. Das 26 atividades industriais analisadas pelo IBGE, apenas oito apresentaram um aumento de seus níveis de atividade em maio.

 

 

Entrevista da semana

“Estamos confortáveis com o sistema financeiro”

Claudio Gallina, diretor da Fitch Ratings

No mês passado, a agência de classificação de risco Fitch Ratings reduziu sua projeção para o crescimento do crédito neste ano de 11% para 7,2%. Por dois fatores: o comportamento fraco do mercado (no acumulado do ano, até maio, o saldo do crédito caiu 1,6%) e a piora das expectativas de crescimento do PIB neste ano. No levantamento Focus, do Banco Central (BC), ele recua há 18 semanas. Apesar desse cenário, Claudio Gallina, diretor da Fitch responsável pela cobertura das instituições financeiras, diz não estar preocupado com a situação do mercado local.

O que é possível fazer para que o mercado de crédito tenha um desempenho melhor?
Precisamos de uma melhora do ambiente para que os bancos liberem mais crédito, como a melhora do PIB e do desemprego. Há crédito disponível para o cliente de boa qualidade, com um bom perfil de risco. Só que esses tomadores estão sem apetite, eles estão preocupados com o que pode acontecer nos próximos meses.

A redução dos bancos públicos deve aumentar a participação dos privados?
Os recursos dos bancos públicos começaram a ficar mais escassos, mas não vemos os bancos de maneira geral mudando a maneira de atuação da noite para o dia. O que temos notado é que os juros baixos têm aumentado a busca das empresas por financiamento através do mercado de capitais. Hoje temos uma liquidez muito forte no mercado.

Qual o impacto da recuperação judicial da Odebrecht para os ratings dos bancos?
Fizemos um levantamento sobre o tema, e não achamos que o caso vá ter relevância em termos de ratings. O caso Odebrecht não foi algo inesperado, os bancos já estavam fazendo as provisões necessárias, por isso não esperamos que o impacto seja muito grande.