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Líder birmanesa acha positivo que exército admita papel na crise rohingya

Líder birmanesa acha positivo que exército admita papel na crise rohingya

Aung San Suu Kyi - AFP/Arquivos

O fato de o exército birmanês ter reconhecido pela primeira vez quer matou rohingyas é um passo positivo, afirmou a dirigente Aung San Suu Kyi em uma entrevista publicada neste sábado por um jornal pró-governamental.

Depois de meses negando seu envolvimento na violência contra os rohingyas, o exército afirmou na quarta-feira que uma investigação interna revelou que membros das forças de segurança ajudaram a matar dez rohinygas considerados suspeitos e os enterraram em uma vala comum.

“É um novo passo dado por nosso país”, acrescentou Suu Kyi.

“No final, o respeito das leis em um país é a responsabilidade desse país. É um sinal positivo de que tomamos medidas para sermos responsáveis”, declarou ao jornal Global New Light of Myanmar.

A líder birmanesa foi muito criticada por seu silêncio sobre a crise dos rohinygas, principalmente pelas organizações de defesa dos direitos humanos.

Forças de segurança birmanesas também admitiram pela primeira vez abusos cometidos durante uma ofensiva que provocou um êxodo maciço da minoria muçulmana do país.

O massacre dos dez rohingyas ocorreu no povoado Inn Din no estado de Rakain, enquanto aumentavam as tensões entre os rohingyas e as forças de segurança e etnias locais de Rakain, após o assassinato de um vizinho do povoado.

“Alguns habitantes da aldeia de Inn Din e membros das forças de segurança confessaram que mataram 10 terroristas de Bangladesh”, disse o oficial militar em uma mensagem postada no Facebook, em referência aos rohingyas e culpando os militantes de provocar distúrbios na aldeia.

Na mensagem também confirmou pela primeira vez a existência de uma fossa comum de rohingyas no estado de Rakain, após uma ofensiva liderada pelo exército contra militantes da minoria no final de agosto.

Refugiados rohingyas em Bangladesh narraram em numerosas ocasiões massacres, estupros e torturas perpetrados pelas forças de segurança birmanesas e por organizações criminosas de Rakain.

Essas acusações, que foram confirmadas por meios de comunicação e organizações de direitos humanos, fizeram que os Estados Unidos e a ONU acusassem Mianmar de limpeza étnica e suscitaram dúvidas sobre se a repressão pode ter sido um genocídio.

Em sua explicação sobre o massacre de Inn Dinn, o Estado-Maior declarou que as forças de segurança capturaram 10 rohingyas antes de matá-los, enquanto a violência envolvia o povoado e seus arredores.

Desde o final de agosto, quando as violências começaram, cerca de 655.000 rohingyas fugiram de Mianmar para se abrigar no vizinho Bangladesh, no que as Nações Unidas consideram uma limpeza étnica realizada pelo exército birmanês.