Finanças

Libra x bitcoin: confira as principais diferenças entre as duas criptomoedas

Com apoio de 28 companhias e lastreada em moedas reais, Libra deve ter formas de uso, volatilidade e aceitação no mercado diferentes das enfrentadas pelo bitcoin

Libra x bitcoin: confira as principais diferenças entre as duas criptomoedas

Falta de um controle cental deixa bitcoin mais suscetível a instabilidade, afirmam analistas

O Facebook divulgou nesta terça-feira (18) as primeiras informações da Libra, a criptomoeda que poderá ser usada em transações financeiras na rede social, além de WhatsApp e Instagram. Na esteira, o bitcoin alcançou a maior valorização em mais de um ano ao ultrapassar a barreira de US$ 9 mil no último domingo. A moeda digital continua em viés de alta e era cotada a US$ 9.127,56 até as 9h15min desta quarta-feira (19), segundo o CoinDesk.

A Libra vem com o apoio de 28 companhias do setor financeiro e tecnológico, incluindo gigantes como Mastercard, Uber e Spotify, e tem previsão para ser lançada durante o primeiro semestre de 2020. Analistas ouvidos pela CNBC afirmam que as informações divulgadas até então criam dúvidas sobre o impacto da entrada do Facebook no mercado de criptomoedas, mas indicam que a moeda virtual tem potencial de alcançar rapidamente um público que o bitcoin demorou anos para conquistar.

Entre as principais diferenças, os especialistas destacam as formas de uso e o índice de volatilidade das duas criptomoedas. A Libra foi anunciada para facilitar a transação financeira, principalmente nas redes sociais controladas por Mark Zuckeberg, enquanto o bitcoin – apesar de ter um objetivo inicial semelhante -, atualmente é aplicado como investimento e reserva de valor, explica Spencer Bogart, da Blockchain Capital.

A aceitação da Libra por parte de grandes companhias também deve ser maior do que a do bitcoin. A criptomoeda será controlada pela Libra Association, uma entidade com 28 empresas e que deve chegar a 100 até o fim do ano. A garantia de nomes já conhecidos do mercado financeiro deve dar mais confiança aos usuários.

“Há uma boa oportunidade para obter muita adoção [da Libra], enquanto o bitcoin era um experimento de base que ainda está em desenvolvimento”, disse Michael Graham, analista da Canaccord Genuity.

A estabilidade da moeda é outro ponto para se levar em consideração. O bitcoin atingiu pico de US$ 20 mil no fim de 2017, porém, sofreu quedas bruscas no ano seguinte e chegou a valer US$ 3,5 mil. A volatilidade é reflexo da descentralização da moeda e a falta de controle de um banco central. Já a Libra estará ancorada em moedas reais, como dólar e euro, garantindo maior estabilidade na sua cotação.

“A Libra é uma moeda estável, apoiada por uma cesta de moedas e títulos de dívida. O bitcoin é uma moeda criptográfica hipervolátil”, disse Tom Lee, da Fundstrat Global Advisors.

A mesma opinião é compartilhada pela Suntrust. Em nota, os analistas afirmaram que a segurança da Libra é o principal trunfo sobre o bitcoin. “Acreditamos que o foco da Libra na criação de uma moeda estável e de baixa  inflação, apoiada por uma reserva ou por ativos reais, é um diferencial. Além disso, ao contrário de outras moedas estáveis, a Libra não estará atrelada a uma moeda, mas sim a uma cesta de ativos que vão de depósitos bancários a títulos do governo de curto prazo.”