Dinheiro em foco

Leonardo Ozorio, diretor da Luz Engenharia Financeira

Crédito: Carol Mendonca

Quem é e o que faz: Economista pela Uerj com MBA em Finanças pela Coppead. Atuou em fundos de pensão como Petros (Petrobras) e Valia (Vale). Foi executivo do Grupo Icatu. (Crédito: Carol Mendonca)

Por que uma empresa que atende fundos de pensão está ampliando seus serviços para as pessoas físicas?
Lidamos com previdência há tempos. Atendemos fundos de pensão há 22 anos e temos um conhecimento amplo dos riscos e problemas dessa gestão financeira. Agora estamos usando essa inteligência de consultoria financeira e de planejamento para auxiliar indivíduos de alta renda a organizar seus objetivos. Se pensarmos bem, essa nossa atividade não é muito diferente do que já fazemos.

Como assim?
Em termos financeiros, um fundo de pensão é um grupo de indivíduos que se reúne para fazer uma carteira de dinheiro, com o objetivo de garantir a aposentadoria de acordo com o desejado. Esses recursos têm de ser bem geridos, de modo a adequar a carteira às necessidades dos participantes. No caso de clientes individuais, a situação, a análise e as estratégias indicadas podem seguir
os mesmos princípios.

Quais as outras possibilidades?
Uma de nossas atividades é auxiliar o fundo de pensão a projetar as despesas no futuro, para daqui a 20 ou 30 anos. Por exemplo, se o participante definir que ele quer se aposentar com uma renda de R$ 10 mil daqui a 18 anos, calculamos o quanto ele precisa poupar todos os meses para chegar a esse resultado. A ideia é prestar um serviço semelhante para as pessoas físicas.

O que vocês recomendam para um investidor que quer preservar e ampliar seu patrimônio no longo prazo?
O mais importante é a diversificação. A tentação do investidor de apostar tudo no que está rendendo bem no momento é grande. Podem ser ações, pode ser renda fixa, podem ser os mercados internacionais. No entanto, no longo prazo todos esses ativos terão momentos de baixa e de alta. Concentrar todos os ativos em um só produto eleva os riscos. Não adianta nada investir em um ativo que renda 10% no primeiro mês e caia 10% no mês seguinte. No longo prazo a própria carteira não será sustentável. No curto prazo, até faz algum sentido aproveitar uma oportunidade pontual. Porém, para prazos mais longos, a única saída é a consistência.

NOTAS

FUNDOS DE AÇÕES E MULTIMERCADOS PERDEM RECURSOS

Os fundos de risco perderam recursos no fim de maio. Segundo a Anbima, associação que representa
o setor, a indústria registrou resgates líquidos de R$ 1,9 bilhão entre os dias 23 e 27 de maio. Esse número é a diferença entre os R$ 179,1 bilhões de aportes e R$ 181,1 bilhões de resgates no período.
As maiores quedas ocorreram nos fundos mais arriscados. Os multimercados e os fundos de ações contribuíram com o saldo negativo. Os primeiros registraram retiradas líquidas de R$ 5,1 bilhões. A classe de ações teve saídas líquidas de R$ 1,8 bilhão. As demais categorias tiveram captação líquida positiva no período, com destaque para a renda fixa, que captou R$ 3,5 bilhões. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios captaram R$ 1,1 bilhão. No mês, até o dia 27, a indústria acumula resgates líquidos de R$ 44,9 bilhões.

MASTERCARD CONCENTRA ESFORÇOS NAS PEQUENAS EMPRESAS

Danilo Rosendo de Moraes

As pequenas e médias empresas estão na mira do sistema financeiro, que pretende aumentar a densidade dos negócios com esse segmento. A empresa de pagamentos Mastercard está ampliando seu programa de benefícios destinado às pessoas físicas, que agora passa a estar disponível também para as PMEs. “Nos últimos anos temos desenvolvido vários projetos com foco nas pequenas e médias empresas”, disse a vice-presidente de Produtos da Mastercard, Ana Karina Scarlato. Semelhante aos programas de milhagem para indivíduos, o Surpreenda Empresas oferece benefícios para os empreendedores, como aquisição de produtos e serviços. O programa já tem parcerias com Casas Bahia e RD Station, entre outros.

EM ALTA
7,4 pontos 

Foi a alta do Índice de Confiança do Comércio (Icom) em maio. O índice subiu para 93,3 pontos ante 85,9 pontos em abril. A melhora nos ânimos também ocorreu em outros setores. O Índice de Confiança de Serviços (ICS) subiu 2,1 pontos em maio, para 98,3 pontos. Já o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 2,3 pontos em maio, para 99,7 pontos. Nos três casos, o resultado foi o maior nível desde outubro de 2021, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na segunda-feira (30).

EM BAIXA
22,66% 

Foi a queda da cotação do bitcoin em maio, conforme dados do portal Coinmarketcap. A cotação ficou em R$ 150.828,41. A mudança na economia global, com aumento de inflação e redução da liquidez no mercado, derrubou as cotações em todo o mundo, que recuaram 17,5% internacionalmente, passando dos US$ 38.469,09 para US$ 31.726,39. Os analistas afirmam que os investidores começaram a fugir
dos ativos mais arriscados diante da nova realidade do mercado.