Negócios

Latam e Delta querem voar

Aéreas se unem para atravessar a turbulência da crise global e têm aval do Cade.

Crédito: Fotomontagem

Para enfrentar a crise, união. Depois do tombo provocado pela pandemia no setor de aviação – a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) estima perdas combinadas de US$ 157 bilhões, em 2020 e 2021, que levaram a demissão de colaboradores, redução de salários, suspensão de rotas e alianças estratégicas – Latam e Delta comemoram a aprovação da proposta de compartilhamento das malhas aéreas das companhias entre as Américas do Norte e do Sul como o primeiro sinal de novos ares. O sim do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) foi anunciado dia 24 e faz parte do processo iniciado em 2019, quando a Delta adquiriu 20% das ações da Latam, por US$ 1,9 bilhão. “A decisão reforça os benefícios que esse tipo de acordo proporciona aos passageiros”, afirmou Roberto Alvo, CEO do Grupo Latam Air Lines. “E nos permite avançar em nosso compromisso de entregar mais e melhores opções de conectividade da América do Sul com o mundo.”

O acordo de joint-venture transamericano assinado pelas empresas busca ampliar o número de potenciais passageiros, seja através da expansão da capilaridade, seja das rotas – Latam e Delta atendem, no total, a 435 destinos pelo mundo. Cada aérea poderá ofertar localidades operadas pela parceira, por meio da utilização cruzada dos programas de milhagem, além de possibilitar o uso de salas VIPs pelos clientes das duas companhias. O executivo Ed Bastian, CEO da Delta, acredita que a aprovação final no Brasil reforça a missão da aérea de oferecer aos clientes do mercado latino uma experiência de viagem de classe mundial. “No futuro, continuaremos trabalhando com a Latam visando alcançar mais benefícios aos passageiros e criar a principal aliança de companhias aéreas das Américas”, disse o norte-americano. Além do Brasil, o compartilhamento da malha aérea já foi aprovado no Uruguai e segue em tramitação em cinco países – Canadá, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru.

A aliança estratégica é uma iniciativa da Latam e da Delta para reduzir o impacto nos resultados operacionais em 2020, por causa da pandemia. A aérea sul-americana apresentou prejuízo líquido de US$ 573,1 milhões no terceiro trimestre, revertendo lucro de US$ 86,2 milhões em igual época de 2019, e viu a receita de passageiros cair 94,8% – os números referentes ao intervalo de outubro a dezembro ainda serão divulgados. Já a norte-americana acumulou perda líquida de US$ 755 milhões no quarto trimestre, com reversão de lucro de US$ 1 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior. A receita de passageiros caiu 74%.

Do começo de março de 2020 até hoje, os papéis da Latam desvalorizaram 70,5%. Já os da Delta se recuperaram de forma bem melhor e caíram 2% no mesmo período. Especialista em aviação civil, Thiago Carvalho, do ASBZ Advogados, afirmou que a formação de joint-venture é um “bom caminho” para o fortalecimento das empresas aéreas, por permitir maior capilaridade e acesso a mercados não atendidos. “E não há necessidade de investimentos em expansão operacional, como aeronaves, combustível e pagamentos de tarifas aeroportuárias e de navegação, porque passam a utilizar a estrutura da parceria por meio do codeshare.”

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