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Lágrimas, desaparecidos e mortos no porto de Beirute

Em uma das entradas do porto de Beirute, uma jovem corre gritando o nome do irmão. Ele se chama Jad e tem olhos verdes, descreve, abalada. As forças de segurança não a deixam passar.

A poucos metros dali, outra mulher busca desesperadamente pelo irmão, após as explosões no porto da capital libanesa, que deixaram mais de 70 mortos e 3 mil feridos, provocaram uma destruição sem precedentes na cidade e traumatizaram seus moradores.

Por mais de três horas, o som das ambulâncias não para. Elas entram na zona acidentada e saem transportando vítimas. No epicentro da explosão, o cenário é apocalíptico: os contêineres lembram latas de conserva retorcidas e seu conteúdo espalhou-se pelo chão. As chamas e nuvens de fumaça negra tomam conta do céu. Helicópteros do Exército tentam, em vão, apagá-las com água do mar.

O fogo devora um barco atracado em frente ao porto. No cais, seguranças temem que os tanques de combustível explodam. Três horas depois da catástrofe, um corpo está caído no chão. Ao seu lado, há uma maleta intacta.

O chão está repleto de maletas, óculos, sapatos, pastas e documentos de escritórios próximos atingidos pelo impacto das explosões. A dezenas de metros dali, são vistas fileiras de carros importados destruídos, com faróis piscando e alarmes acompanhando o barulho das ambulâncias.

– Corpos despedaçados –

Alguns bombeiros, perplexos, procuram colegas que tentavam apagar um incêndio ocorrido antes das explosões, segundo um deles. Socorristas, auxiliados por agentes de segurança, buscam sobreviventes ou corpos entre os escombros. Um deles grita para os jornalistas: “O que estão filmando? Há corpos despedaçados por todos os lados!”

Perto dali, seguranças removem o corpo de um colega. Um deles chora. Outro, pega o telefone para mostrar uma foto da vítima: “Aqui está ele, no dia do seu casamento.”

Entre os feridos, há membros sírios e egípcios da tripulação de embarcações que chegaram hoje ao porto, entre elas uma da Ucrânia, que transporta trigo para a Síria. “Há seis meses, esperamos o momento do nosso retorno à Síria. Somos 13 jovens. Sete de nós ficaram feridos”, conta um dos tripulantes. Outro cita uma rachadura no casco do navio. “Ele está está afundando, com a explosão houve feridos graves a bordo.”

Em todos os bairros da capital, inclusive no subúrbio, correspondentes da AFP observaram estragos causados pelas explosões, que sacudiram a cidade e causaram pânico.

Nos edifícios, moradores inspecionam os danos. Janelas se quebraram, assim como vitrines de lojas, espalhando um tapete de estilhaços por seus arredores. Hospitais da cidade estão sobrecarregados com o atendimento aos feridos.

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