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Justo reconhecimento

Em cerimônia presidida por Michel Temer, Domingo Alzugaray, fundador do Grupo de Comunicação Três, ganha postumamente a medalha da Ordem do Mérito Cultural

Crédito: Divulgação

Domingo Alzugaray ganhou postumamente, na semana passada, a mais alta homenagem do Brasil na área da Cultura. Trata-se da medalha de classe Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cultural, distinção outorgada às pessoas que empreenderam em sua jornada a construção de um País melhor. A comenda enobrece o sobrenome Alzugaray, o sobrenome Alzugaray enobrece a comenda, e dessa forma devem ser todas as verdadeiras condecorações. O evento, promovido pelo Ministério da Cultura e presidido por Michel Temer, realizou-se em Brasília, na terça-feira 19. Domingo, falecido no dia 24 de julho, em São Paulo, aos 84 anos, foi representado por sua filha, Paula Alzugaray – criadora e editora da revista SeLecT, uma das mais influentes publicações no setor da Cultura brasileira.

A comenda enobrece o sobrenome Alzugaray, o sobrenome Alzugaray enobrece a comenda, e dessa forma devem ser as verdadeiras condecorações

Foram homenageadas, entre outras personalidades, o ator, comediante e humorista Renato Aragão, o tradutor Ivo Barroso e o diretor de televisão José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. In memoriam, juntamente com Domingo, concedeu-se o prêmio ao diretor do Festival Internacional da Canção Augusto José Marzagão e ao ex-ministro da Educação Eduardo Portella.
Quando um jornalista recebe a medalha da Ordem do Mérito Cultural é sinal de que ele ultrapassou as fronteiras da produção de informações – significa, isso sim, que refletiu, influenciou e aprimorou, por meio de sua profissão, a intelectualidade e a inteligência de seu país, e isso foi critério relevante para a premiação. O jornalista e editor Domingo Alzugaray (não gostava de ser chamado de publisher) fundou o Grupo de Comunicação Três, empresa responsável pela publicação de ISTOÉ e ISTOÉ DINHEIRO, entre outros tantos títulos importantes. O Grupo de Comunicação Três tem como editora e presidente executivo, respectivamente, Catia Alzugaray (com quem Domingo foi casado por 57 anos), e o filho, Caco Alzugaray. Domingo foi o inventor de revistas e nos legou lições de ética. Uma delas, importante nesses tempos de intolerância, é a que nos ensina a respeitar o pensamento de outras pessoas, ainda que discordante do nosso. Justas comendas só são concedidadas a democratas. Domingo foi um gigante da democracia.

60 anos de transpiração pelo Brasil
Por
Paula Alzugaray

Domingo Alzugaray era um entusiasta partidário da ideia de Thomas Edison de que uma boa criação (ou a genialidade) é resultado de 10% de inspiração e 90% de transpiração. Ao ser homenageado pelo Ministério da Cultura na classe Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cultural 2017, fica claro o quanto Domingo Alzugaray se alinhava à Cultura brasileira. A bravura do artista e do empreendedor cultural no País se explicitam nos números divulgados pelo ministro Sérgio Sá Leitão durante a cerimônia: as atividades culturais e criativas respondem por 2,64% do PIB, um milhão de empregos diretos, 200 mil empresas e instituições e cerca de R$ 10,5 bilhões de impostos diretos.

É, portanto, uma satisfação enorme constatar que o editor e empreendedor Domingo Alzugaray – e toda a transpiração que ele produziu em seus 60 anos em Terra Brasilis – é reconhecido como um agente relevante na engrenagem que movimenta e dá vigor à Cultura do Brasil.

Cerimônia – A primeira-dama Marcela, o presidente Temer, o ministro Sérgio Sá Leitão e Paula Alzugaray: empreendedorismo na Cultura. Ao lado, a medalha de classe Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cultural: nobre prêmio (Crédito: Alan Santos)

O ano em que Domingo Alzugaray ganhou o título Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cultural teve um diferencial importante. Foi a primeira vez que o evento seguiu um tema: ”Cultura, inovação e empreendedorismo”, lançando um olhar sobre a importância estratégica da Cultura para a economia, a formação de capital humano e a renovação do País.

A equipe do Ministério da Cultura demostrou também ser partidária da transpiração, transformando o evento em uma sessão proativa de trabalho e transcendendo sua mera condição protocolar. A cerimônia contou assim com importantes pontuações, por parte de Sá Leitão e de Eduardo Saron, presidente do Itaú Cultural e agraciado essa tarde com a comenda de Comendador. Em seus discursos, eles trouxeram à tona questões que podem mudar o modo como as políticas e os instrumentos de fomento cultural são encarados no Brasil. O ministro ressaltou que a contribuição da agenda cultural ao PIB nacional poderia ser consistentemente superior aos 2,64%, se a percentagem de estímulos ao projetos via Lei Rouanet não se restringissem a 0,64% de todos os incentivos nacionais.

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Saron, por sua, vez, dirigiu-se diretamente ao presidente da República, Michel Temer, que presidia a cerimônia, pedindo o fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura com recursos das Loterias Federais (há uma previsão legal de que 3% dos recursos brutos das loterias devam ir para o Fundo). As chamadas podem ter funcionado para começar a mudar o jeito que o Brasil cuida de sua Cultura, já que o presidente encerrou a cerimônia anunciando que incrementará o orçamento da pasta em 2018.

Entre os 30 artistas e empreendedores que, ao lado de Domingo Alzugaray, contribuíram para o estímulo da atividade Cultural como motor de desenvolvimento econômico e foram lindamente homenageados em uma tarde musical e calorosa, estão Maria Ignez Mantovani, Claudia Costin, Marcello Dantas, Dona Onete, Mãe Neide Oyá D’Oxum, Roberto Mincsuk, Luiz Calainho e Marcelo Bratke.