Finanças

Juros tombam com ajustes a sinais do Copom, com ajuda do câmbio e commodities



Os juros futuros tombaram nesta quinta-feira pós-Copom, dada a leitura do comunicado indicando que se o processo de aperto da Selic já não chegou ao fim, está bem perto, e as apostas numa antecipação do ciclo de cortes. As taxas caíram desde a abertura, mas passaram a renovar mínimas no começo da tarde, com o impacto do Copom turbinado pela queda expressiva do dólar e das commodities. A disposição para o risco contribuiu para que o leilão de prefixados do Tesouro tivesse demanda quase integral, com taxas abaixo do consenso na LTN e na NTN-F mais longas.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 terminou em 13,01%, de 13,275% na quarta-feira. A do DI para janeiro de 2025 teve alívio ainda maior, de 40 pontos-base, passando de 12,509% para 12,10%. O DI para janeiro de 2023 encerrou com taxa de 13,745%, de 13,796% na quarta, e a taxa do DI para janeiro de 2027 encerrou em 12,115% (12,479% na quarta).

A decisão de elevar a Selic em 0,5 ponto porcentual, para 13,75% ao ano, estava amplamente precificada, mas o comunicado surpreendeu. “O Copom veio mais ‘dovish‘ e impactou a curva como um todo”, afirmou a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, para quem o fato de o Banco Central estar olhando com maior atenção o horizonte até o primeiro trimestre de 2024 sinaliza que o ciclo de alta da Selic pode ter terminado.

O Copom se utilizou desse recurso como forma de suavizar o forte impacto inflacionário que a reversão das desonerações tributárias terão no primeiro trimestre do ano que vem. “Mas o Copom não quis fechar totalmente a porta para uma nova alta. Esse discurso de que talvez possa dar 25 pontos em setembro é uma forma de ancorar as expectativas”, disse. De acordo com Veronese, na curva a termo a projeção de Selic para o fim deste ano, que na quarta era de 14%, estava mais perto de 13,75%, a 13,82% mais precisamente no meio da tarde.




O trecho intermediário, que capta a expectativa dos agentes para a Selic no médio prazo, foi o alvo central dos vendedores, tanto em termos de magnitude da queda quanto em volume negociado, uma vez que o mercado passou a antecipar o timing para o ciclo de distensão monetária.

Segundo o economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano, nesta quinta a curva já apontava leve queda da Selic no primeiro trimestre de 2023, de cerca de 10 pontos-base, e no segundo a precificação de corte aumentava para 40 pontos, na terceira reunião do ano. “Ontem, tinha um pouco de precificação de queda no segundo trimestre, mas se intensificava mesmo no segundo semestre”, explicou. Para o fim de 2023, a curva projetava taxa básica entre 10,75% e 11%.

Além do Copom, outros fatores, ainda que secundários, conspiraram a favor do alívio nos prêmios da curva, com destaque para a valorização do real e o recuo de commodities. O petróleo fechou em baixa de mais de 2%, com o tipo Brent aquém de US$ 95 o barril, e o minério de ferro tombou 4,5%.


Na gestão da dívida, diante do apetite dos investidores, o Tesouro elevou um pouco o risco do leilão de prefixados e conseguiu boa demanda nos papéis longos, vendendo todo o lote de 300 mil NTN-F, após várias semanas sem conseguir colocar tudo. Nas LTN, da oferta total de 10 milhões, 9 milhões foram colocadas no vencimento mais longo do papel, 1/1/2026; as 500 mil para 1/10/2023 foram vendidas integralmente; e 304.200 LTN para 1/10/2024, do lote de 500 mil. Tanto a taxa da LTN 2026 quanto a da NTN-F 2033 ficaram abaixo do consenso de mercado, segundo a Necton Investimentos.






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