Finanças

Juros têm 4ª sessão de queda seguida, com apostas em Copom mais agressivo

O mercado de juros completou nesta sexta-feira a quarta sessão consecutiva de taxas em queda, nesta sexta mais pronunciada na ponta longa da curva, graças a um cenário de maior apetite pelo risco no exterior, por sua vez amparado no otimismo sobre o fechamento de um acordo comercial entre a China e os Estados Unidos. Os vencimentos de curto e médio prazos recuaram, ainda embalados pelo aumento das apostas de afrouxamento monetário, que ganhou novos argumentos – reponderação do IPCA pela nova POF e volume de serviços abaixo da mediana das estimativas.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020, o que mais reflete as apostas para as reuniões do Copom neste ano, fechou em 4,928%, de 4,940% na quinta no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 fechou em 4,59%, de 4,648%. A do DI para janeiro de 2023 caiu de 5,750% para 5,59% e a do DI para janeiro de 2025 encerrou na mínima de 6,25%, de 6,441%. Na semana, os principais contratos fecharam com alívio entre 25 e 35 pontos-base.

Segundo cálculos do Haitong Banco de Investimentos, a precificação da curva já aponta 10% de chance de corte de 0,75 ponto e 90% de chance de redução de 0,5 ponto na Selic, na próxima reunião de política monetária dos dias 29 e 30. No fim do ciclo, a precificação é de taxa básica em 4,40%.

O cenário para a inflação de 2020 se tornou ainda mais favorável depois da divulgação dos pesos do IPCA à luz da nova Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) que passará a valer a partir do ano que vem, horizonte para onde se volta agora a política monetária. A expectativa de que os novos pesos pudessem dar alívio entre 10 e 20 pontos-base às projeções para 2020 se confirmou, mas algumas instituições aproveitaram a deixa para revisar ainda mais seus cenários. Na pesquisa do Projeções Broadcast, de 22 instituições ouvidas, 13 modificaram projeções após a nova ponderação, e a mediana ficou em 3,60%. Antes da divulgação, a mediana era de 3,70%.

O mercado segue não vendo riscos de pressão inflacionária vindos nem do câmbio nem da atividade, tendo sido divulgado mais um dado que frustrou parte dos economistas. O volume de serviços prestados caiu 0,2% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal. O resultado veio abaixo da mediana das estimativas (-0,05%) dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast.

Nos vencimentos longos, o alívio veio do bom humor dos mercados internacionais. Desde manhã, a expectativa de que um acordo, ainda que parcial, entre a China e os Estados Unidos pudesse sair favorecia ativos emergentes e, no fim da tarde, já com a sessão estendida em andamento, isso se confirmou. “Chegamos a um acordo ‘fase 1’ muito substancial com a China”, disse o presidente Donald Trump, acrescentando que as negociações terão duas ou três fases.

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