Finanças

Juros futuros fecham em queda com cenário benigno para inflação e política

Os juros futuros encerraram a sessão regular desta segunda-feira, 3, em baixa ao longo de toda a curva e nas mínimas. As taxas já estavam em queda pela manhã e ampliaram o movimento na parte da tarde, mas sem que os operadores identificassem um gatilho. O alívio nas taxas, contudo, não teve respaldo de liquidez. O giro foi fraco, atribuído sobretudo ao fechamento dos mercados norte-americanos nesta segunda mais cedo, em função do feriado da Independência na terça-feira, 4, nos Estados Unidos.



O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2018 (122.185 contratos) fechou com taxa de 8,840% (mínima), ante 8,940% no ajuste anterior. A taxa do DI janeiro de 2019 (145.610 contratos) também fechou na mínima, de 8,81%, de 8,91% no ajuste de sexta-feira. A taxa do DI janeiro de 2021 (107.045 contratos) caiu de 10,08% para 9,98% (mínima).

Segundo profissionais da área de renda fixa, o recuo nas medianas de inflação da pesquisa Focus, a deflação do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) de junho, o dólar abaixo de R$ 3,30 e um clima menos tenso no cenário político contribuíram para o ajuste em baixa dos juros.

“O movimento é bem doméstico, com câmbio tranquilo, Focus relativamente boa e alguns fatores ajudando a dinâmica do pré. A reunião do Copom vai se aproximando e elevando a probabilidade de ser 100 pontos (de corte da Selic)”, afirmou o economista da Icatu Vanguarda, Rodrigo Melo.

No Boletim Focus, a mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2017 foi de 3,48% para 3,46% e para 2018, de 4,30% para 4,25%. A mediana para a Selic ao final deste ano permanece em 8,50%, mas para 2018 caiu de 8,50% para 8,25%. Já o IPC-S teve a primeira deflação mensal desde junho de 2006 (-0,40%) ao cair 0,32% no sexto mês deste ano, taxa mais baixa do que a mediana das estimativas dos analistas (-0,29%).

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Na política, o mercado está em compasso de espera pela votação da urgência do texto da reforma trabalhista na terça no plenário do Senado, o que deve permitir que a votação da matéria ocorra no dia 12, antes do recesso parlamentar. Se o pedido de urgência for aprovado, o projeto só pode entrar na pauta após duas sessões ordinárias. Aprovado o texto, essa pausa no Congresso também é vista com bons olhos pelo mercado. “Enquanto tiver recesso, diminui probabilidade de eventos negativos”, afirmou Melo.


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