Finanças

Juros fecham em queda pelo 3º dia seguido com exterior, reformas e IPCA

Uma combinação de melhora no apetite por ativos de risco no exterior e noticiário interno positivo sobre reformas e inflação resultou nesta quinta-feira, 8, no alívio de prêmios de risco ao longo de toda a curva de juros, mais pronunciada no trecho longo. Se a ponta curta não chegou a cair tanto, ao menos algumas destas taxas voltaram a renovar mínimas históricas de fechamento, caso por exemplo da do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020, que terminou em 5,475%, na mínima do dia, ante 5,506% na quarta no ajuste. Este vencimento é o que melhor representa as apostas para Selic nas reuniões do Copom restantes para 2019. Foi o terceiro dia seguido de queda nos DIs.

Outro contrato a fechar na mínima histórica foi o DI para janeiro de 2021, a 5,40%, de 5,429% no ajuste de quarta. Nas mesas de renda fixa, o IPCA de julho (0,19%) melhor do que apontava a mediana das estimativas (0,25%) dos economistas e a inesperada queda do IGP-DI de julho (-0,01%) tiveram impacto moderado nos negócios, mas, de todo modo, reforçam o cenário benigno para a inflação. Em 12 meses, o IPCA atinge 3,28%, ante meta de inflação de 4,25% para este ano. Com isso, as apostas de que a Selic será reduzida em mais 0,50 ponto porcentual em setembro vão se consolidando. No fim da tarde, a curva a termo precificava em torno de 65% de queda da taxa básica para 5,50% no mês que vem.

Nos longos, as ordens de venda foram atraídas pelo alívio com os bons dados de exportações da China em julho se contrapondo aos temores de desaceleração global em função da tensão comercial com os Estados Unidos, o que enfraqueceu o dólar ante moedas de economias emergentes. “O que está acontecendo é global, com o mundo convergindo para juros mais baixos e aqui o BC resolvendo ceder aos números de inflação e de atividade e à pressão de mercado para definir um ciclo de queda da Selic entre 1,25 e 1,5 ponto”, disse o sócio-gestor da LAIC-HFM, Vitor Carvalho.

O DI para janeiro de 2023 encerrou com taxa de 6,34%, de 6,371% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 6,881% para 6,83%.

Internamente, após a aprovação da reforma da Previdência em segundo turno na Câmara, o mercado está otimista com a tramitação do texto no Senado e aliviado pelo fato de que o nível de desidratação da potência fiscal até o momento é menor do que o esperado. “Temos uma Previdência sem tanta desidratação e a discussão da PEC paralela de Estados e municípios ganhando fôlego, o que representa uma melhora discreta para este tema”, disse o economista-sênior da XP Investimentos, Marcos Ross.

Tópicos

taxas de juros