Finanças

Juros fecham em queda, em reação a Campos Neto

A despeito do mau humor generalizado nos mercados internacionais e com ativos brasileiros, os juros futuros encerraram a sessão em leve queda, à medida que os investidores assimilam as falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento hoje cedo em São Paulo. Ele repetiu que houve o fenômeno da proteína na inflação de dezembro, mas que a instituição está confortável com os índices de preços.

A taxa do contrato do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caiu de 4,365% ontem para 4,350% hoje (regular e estendida). O janeiro 2023 foi de 5,570% para 5,560% (regular) e 5,550% (estendida). O janeiro 2025 recuou de 6,320% para 6,300% (regular) e 6,290% (estendida). E o janeiro 2027 passou de 6,710% para 6,680% (regular e estendida).

O mercado de juros abriu em leve alta, refletindo os sinais de melhora da economia europeia. Mas a grande expectativa era a participação de Campos Neto em evento da XP.

O dirigente disse que, para a política monetária, a autarquia vê um prazo muito mais longo do que um IPCA pode capturar. Campos Neto afirmou também que a instituição começou a ver as medidas microeconômicas tendo efeito no canal de transmissão. “Sei que a política monetária será mais potente, mas um ‘lag’ que é desconhecido”, afirmou.

Embora tenha reforçado a visão do mercado de um corte de 25 pontos-base na Selic em fevereiro, há pontos da fala de Campos Neto que foram lidos de maneira menos inclinada a esse movimento.

Com a baixa de hoje, a precificação para corte da Selic foi de 69% ontem para 72% hoje, conforme cálculos da Quantitas Asset Management. Na quarta-feira, quando o DI janeiro 2021 fechou na mínima histórica, a aposta de redução estava em 73%.

Ainda assim, há quem pondere que o corte de juros não está dado. “O debate vai ser bastante dividido nos próximos dias, embora, no geral, o BC busque uma decisão unânime”, disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno. “Ao mesmo tempo que ele (BC) se mostra confortável com os índices de preços atuais, ele também ressalta os sinais de recuperação da economia brasileira. Há chance das duas coisas (corte ou manutenção).”

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