Finanças

Juros aceleram queda e vão às mínimas com leitura de ataque a Bolsonaro

Os juros futuros ampliaram fortemente a queda a partir do meio da tarde desta quinta-feira, 6, fechando a sessão regular nas mínimas e caindo mais na sessão estendida, em todos os pontos da curva, enquanto a bolsa reforçava os ganhos e o dólar, a queda. A melhora generalizada dos ativos domésticos começou após a informação de que o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, tinha sido esfaqueado durante campanha nas ruas de Juiz de Fora (MG), o que levou a uma onda de especulação em torno dos impactos que o ataque pode ter na campanha eleitoral. As taxas já mostravam recuo firme desde a manhã, a partir do IPCA de agosto, que teve deflação maior do que esperado, levando à redução das apostas de alta da Selic no Comitê de Política Monetária (Copom) em setembro na curva a termo.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 fechou a sessão regular em 7,410%, de 7,528% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2020 terminou na mínima de 8,67%, de 8,82% ontem no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 10,10% para 9,92% (mínima) e a do DI para janeiro de 2023 fechou em 11,58% (mínima), de 11,77% ontem no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2025 caiu de 12,94% para 12,32% (mínima). O dólar fechou abaixo dos R$ 4,10, a R$ 4,0847.

Bolsonaro foi atingido por uma facada no abdômen e, num primeiro momento, a notícia era de que o ferimento era superficial. O candidato teve uma lesão e passava por cirurgia no fim da tarde, segundo a Santa Casa de Juiz de Fora. Rapidamente, o mercado passou a “operar o cenário eleitoral” e, numa leitura mais pragmática e imediatista, a percepção foi de que o incidente por si só pode enfraquecer a tendência de crescimento da esquerda na corrida presidencial. “O mercado está comprando a ideia de que ele pode virar mártir e que o ataque deve esvaziar o discurso da esquerda de que a direita é violenta”, disse Breno Martins, economista da Mongeral Aegon Investimentos que, na sequência, questiona.

O cenário eleitoral já ajudava a ponta longa a ceder na etapa inicial, tendo o mercado visto um viés positivo nos dados da pesquisa Ibope, que mostrou alguma melhora de desempenho do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, e na decisão do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), de negar pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para afastar impedimento à candidatura do petista ao Palácio do Planalto.

O IPCA de agosto teve deflação de 0,09%, mais forte do que apontava o piso das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast (-0,06%), o que ajudou a reduzir as apostas de alta para a Selic em setembro na curva a termo. Segundo cálculos do Haitong Banco de Investimentos, a curva precificava 14 pontos-base de aumento para a taxa básica na próxima reunião, ou 56% de possibilidade de alta de 0,25 ponto porcentual e 44% de chance de manutenção. Ontem, estava em 22 pontos, ou 88% de chance de avanço de 0,25 e 22% de probabilidade de manutenção.

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