Finanças

JPMorgan cria índice que mede impacto dos tweets de Trump no mercado

Levantamento do JPMorgan mostrou que tweets de Trump causam impacto no valor dos títulos do tesouro americano, especialmente nos de curto e médio prazo

JPMorgan cria índice que mede impacto dos tweets de Trump no mercado

Página no Twitter do presidente Donald Trump - AFP

Donald Trump é hoje um dos mais poderosos do mundo. Seja por seu atual cargo, o de presidente dos Estados Unidos, ou por sua fortuna oriunda de diversas propriedes ao redor do planeta. O atual mandatário americano é também um fã assíduo e verborrágico do Twitter, que em seu mandato se tornou uma espécie de diário oficial 24h por dias, oferecendo a seus seguidores novidades sobre as negociações comerciais com a China e questões internas, como sua caçada a imigrantes ilegais.

Por tratar de assuntos oficiais em seu perfil pessoal, os tweets de Trump não afetam apenas o trabalho jornalístico, mas também a dinâmica dos mercados ao anunciar novas taxas ou avanços em negociações comerciais. Diante disso, o banco de investimento JPMorgan um índice que mede o impacto das mensagens de Trump na taxa de juros americana através do aumento ou diminuição do valor dos títulos do tesouro do país.

Apelidado de índice Volfefe – termo oriundo de um tweet do presidente em que falou sobre o “covfefe” – mostra que suas mensagens na rede social afetam o valor dos juros americanos, que o banco afirma que está em alta nos últimos meses.

Desde 2016, quando iniciou sua campanha presidencial, Trump tem uma média de 10 tweets ao dia, cerca de 10 mil desde que tomou posse em 2017 de acordo com a análise do JPMorgan. O momento de maior “silêncio” no perfil do presidente foram dias antes de assumir o cargo mais importante dos Estados Unidos, enquanto seu pico de verborragia acontece agora, nos últimos meses de 2019.

A análise mostrou que cinco minutos após a publicação de seus tweets, o valor do tesouro americano sofre alterações, o que fez com que o banco concluísse que o “índice Volfefe” é responsável por uma “fração mensurável” das mudanças do valor dos títulos do tesouro americano, impacto que fica mais claro nos títulos de dois e cinco anos mais do que nos de uma década.

Além do JPMorgan, o Bank of America Merrill Lynch fez estudo parecido, onde concluiu que os dias em que Trump costuma ser mais ativo no Twitter causa maiores mudanças no mercado em média do que nos dias em que sua conta fica menos movimentada.