Sustentabilidade

Jovens ativistas levam à COP26 a voz dos países do sul global

Jovens ativistas levam à COP26 a voz dos países do sul global

Manifestantes participam de protesto contra as mudanças climáticas em Bruxelas, 10 de outubro de 2021 - BELGA/AFP

Das Filipinas, do Quênia, da Bolívia ou da Colômbia, jovens ativistas ambientais querem que a cúpula climática COP26 de Glasgow ouça as vozes dos países do Sul, menos industrializados, porém mais expostos aos danos do aquecimento global.

“Precisamos que os líderes escutem nossas histórias. Eles não sabem o que é viver temendo por sua vida por causa das inundações”, disse à AFP a filipina Mitzi Jonelle Tan, de 23 anos.

“De outra forma, vão nos deixar para trás”, diz esta jovem que mora na cidade de Marikina, regularmente castigada por tufões que se tornam mais violentos.

Desde dezembro de 2020, a AFP acompanha Mitzi Jonelle Tan e outros quatro ativistas da plataforma Fridays for Future procedentes de Bolívia, Colômbia, Nigéria e Quênia na preparação desta cúpula importante que começa em 31 de outubro em Glasgow (Reino Unido) e se estende até 12 de novembro.



A ativista filipina e o queniano Kevin Mtai, de 26 anos, conseguiram o dinheiro para participar da cúpula, mas outros tiveram suas viagens frustradas por falta de recursos, pelas restrições da covid ou pela desigualdade na vacinação.

É o caso da colombiana Catalina Reyes Vargas, de 25 anos, que não tomou a segunda dose da vacina anticovid a tempo e, além disso, seu país está entre os incluídos na lista vermelha de viagens ao Reino Unido.

Para ela, a COP26 é “histórica”, mas ela não tem muita esperança em seu desenlace.

“Temos que prestar muita atenção aos que se diz, mas grande parte do trabalho virá dos ativistas climáticos”, disse esta professora de biologia.

Os ativistas do conhecido “sul global” temem que sua ausência facilite aos líderes mundiais abordar a redução de emissões contaminantes sem levar em conta sua interferência na desigualdade do planeta.

“Não se trata apenas de reduzir as emissões de CO2, mas também de que forma será feita”, assegurou a jovem filipina.

Segundo o Centro de Recursos de Negócios e Direitos Humanos, a extração de metais e minerais necessários para a transição energética costuma ser feita em países do “sul global”, em detrimento dos direitos humanos.

– Diretamente afetados –

Quando em 2018, Greta Thunberg, então com 15 anos, começou a greve escolar pelo clima, deu início ao movimento Fridays For Future que inspiraria vários jovens de todo o mundo nos meses seguintes.

Em agosto de 2019, 400 deles, sobretudo europeus, se reuniram na Suíça. Mas a pandemia chegou e as trocas migraram para a internet, facilitando os encontros virtuais entre ativistas do norte e do sul.

“A crise do coronavírus tem sido um momento de reflexão, parte da qual se traduziu em uma consciência política maior em relação à questão do sul global”, disse Joost de Moor, pesquisador da Universidade Sciences Po de Paris.

Alguns ativistas do sul criaram dentro do Fridays For Future o grupo de “pessoas e regiões mais afetadas”.

“Quando começamos, só queríamos um grupo de diálogo onde pudéssemos falar e nos expressar com confiança”, explicou Mitzi Jonelle Tan.

Rapidamente o grupo cresceu e foram organizadas longas palestras entre os participantes para trocar pontos de vista e experiências.

Alguns ativistas temiam que a questão climática fosse ocultada por outras problemáticas. “Mas, afinal, as pessoas entenderam que sem isso, as pessoas mais afetadas ficariam para trás”, explicou a filipina.

“Para os ativistas ambientais do sul global, as mudanças climáticas afetam diretamente sua qualidade de vida, suas moradias e sua capacidade de conseguir alimentação”, disse Sarah Pickard, especialista em participação política juvenil na Universidade Paris 3.

– Seca, pragas e incêndios –

Agora, estes jovens querem que suas histórias e experiências sejam ouvidas na COP26, vista por muitos como a última oportunidade para que a humanidade evite um aquecimento global com consequências catastróficas.

O ativista nigeriano Kelo Uchendu tem trabalhado para fazer desta cúpula “o mais inclusiva possível”, embora não saiba se poderá ir porque lhe faltam dinheiro e a segunda dose da vacina anticovid.

No norte do país, a seca e a desertificação deslocaram os pastores em busca de forragem e água para seu gado, gerando conflitos com outras comunidades dependentes destes mesmos recursos.

O Quênia, país de Kevin Mtai, sofre com invasões de gafanhotos e uma longa seca que, se não for solucionada, poderia arrastar em novembro 2,4 milhões de pessoas para a fome, alertou recentemente o Programa Mundial de Alimentos.

“Quando vejo as pessoas morrendo e sofrendo no Quênia, me sinto culpado e aflito. Tentamos dar o melhor de nós, mas nossos líderes estão falhando conosco”, diz Mtai.

Na Bolívia, jovens mobilizados repararam em que os incêndios florestais destruíram nos últimos anos milhões de hectares em áreas rurais, onde vivem comunidades indígenas.

“Recomemos a criação de um comitê para investigar estes incêndios e promover o conhecimento e a compreensão do problema”, explicou a ativista e estudante de direito Michel Villarreal, de 19 anos.

Os ativistas vão a Glasgow com sentimentos contraditórios.

A filipina Tan confia pouco no resultado da cúpula, mas acredita nos jovens para melhorar a situação. “A verdadeira mudança virá das ruas”, assegurou.

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