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Jovem de 19 anos assassinada por Junta se torna um símbolo em Mianmar

Jovem de 19 anos assassinada por Junta se torna um símbolo em Mianmar

Funeral de Kyal Sin, de 19 anos, que se tornou um símbolo da violência assassina da Junta em Mianmar, em 4 de março de 2021 em Mandalay - AFP

Kyal Sin, de 19 anos, tornou-se em poucas horas um símbolo da violência da Junta militar em Mianmar.

A jovem manifestante, apaixonada por dança e artes marciais, vestia uma camiseta com a frase “Tudo ficar tudo bem” no dia de sua morte.

Mas em um país acostumado a uma repressão sangrenta, como em 1988 e 2007, Kyal Sin, apelidada de “Anja”, não desconhecia os riscos.

Poucos dias antes de sua morte, tomou a iniciativa em sua página do Facebook, comunicando seu tipo sanguíneo e dando seu consentimento para uma doação de órgãos caso algo acontecesse.

A adolescente foi morta a tiros pelas forças de segurança na quarta-feira em um protesto pró-democracia em Mandalay, no centro do país.

Naquele dia, pelo menos 38 manifestantes morreram, nos incidentes mais mortais da repressão militar desde o golpe de Estado, em 1º de fevereiro.

Imagens feitas pouco antes de sua morte e publicadas online mostram Kyal Sin deitada atrás de uma barricada improvisada. Em seguida, ela rasteja e corre para se proteger, enquanto as detonações soam através de nuvens de gás lacrimogêneo.

O lema de sua camisa se tornou viral nas redes sociais após o anúncio da sua morte: “Você é nossa heroína”, “Você já está brilhando nas estrelas” e “Continuaremos a luta até o fim”.

“Anja” votou pela primeira vez em 8 de novembro nas eleições legislativas, que foram vencidas de forma esmagadora pela Liga Nacional para a Democracia (NLD), partido de Aung San Suu Kyi.

Orgulhosa, naquele dia ela postou uma foto em sua página do Facebook beijando o dedo com tinta para mostrar que tinha ido às urnas.

“Cumpri meu dever de cidadã (…) votei com o coração”, escreveu ela.

Menos de três meses depois, a Junta depôs Aung San Suu Kyi, alegando irregularidades nas eleições.

Kyal Sin rapidamente se juntou ao movimento de desobediência civil, aparecendo nas redes sociais com bandeiras nas cores da NLD e exibindo a saudação de três dedos em sinal de resistência.

A adolescente sempre morou em Mandalay, onde seus pais têm um salão de beleza.

“Os negócios estavam indo bem, ela poderia ter se conformado com uma vida tranquila, mas stava muito zangada, ela queria derrubar Min Aung Hlain”, o líder da Junta militar, explica Linlae Waddy, sua amiga de infância.

Milhares de pessoas compareceram a seu funeral em Mandalay nesta quinta-feira. “Não haverá perdão para vocês até o fim do mundo”, cantou a multidão em frente ao caixão cercado por flores.

Pelo menos 54 civis morreram desde o golpe, segundo a ONU, incluindo quatro menores, um deles um menino de 14 anos.

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