Revista

João Doria deixa a disputa presidencial

Crédito: Suamy Beydoun

Começa junho, começa a paralisia. Chegou a hora em que o Congresso baixa o ritmo, a economia paralisa e a agenda política dá o tom do que será assunto pelos próximos 120 dias. Nesse sentido, a semana começou quente. Com uma prova irrefutável de que no mundo político é preciso não ter estômago e multiplicar o fígado, o ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB), indicado por seu partido como candidato à Presidência, anunciou na segunda-feira (23) que deixará a disputa. “Eu me retiro com o coração ferido, mas a alma leve”, afirmou. Os tucanos jamais o aceitaram, e jogaram no lixo as próprias prévias para fazer o que sempre fazem: subir no muro e se dividir. A tendência é que o partido confirme apoio ao nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS), tema sobre o qual silenciavam até quarta-feira (25). Parte do comando da legenda quer a aliança, parte minoritária quer ressuscitar o estandarte gaúcho Eduardo Leite na corrida presidencial. A única coisa que os une nesse momento é que cada parlamentar candidato da sigla pretendia se desvincular de Doria e se agarrar, especialmente, a Bolsonaro.

Mateus Bonomi

“As coisas só vão piorar na parte econômica, e na parte política vão aparecer mais escândalos. Infelizmente, o presidente Bolsonaro não deve se reeleger”Abraham Weintraub ex-ministro da Educação, em entrevista ao jornal O Globo na quarta-feira (25),

JOGO PESADO
FED dá sinais duros (e claros)

Autoridades do Federal Reserve (Fed, o BC americano) enfatizaram no início de maio a necessidade de aumentar as taxas de juros o quanto for preciso e acima do que analistas de mercado estimavam. É o que mostram as atas da reunião sobre política de juros, divulgadas na quarta-feira (25). Para eles, talvez seja necessário superar a chamada postura “neutra” — nem favorável nem restritiva ao crescimento — para uma ação mais contundente de combate à inflação. “Uma postura restritiva da política pode se tornar apropriada.” Na sessão do começo de maio foi aprovada a alta de 0,5 ponto porcentual no juro básico, o maior aumento em 22 anos, para tentar reduzir a inflação que atinge a máxima de 40 anos. Isso pode significar mais turbulência à economia brasileira.

US$ 1 trilhão previsão do congresso americano para o déficit orçamentário do país em 2022. em 2021, foram US$ 2,7 trilhões, por causa do combate à pandemia.

FÔLEGO MONETÁRIO
BC chinês na ativa

“Não gastaremos um centavo que não deva ser gasto e nos esforçaremos para garantir o dinheiro que deve ser gasto” Liu Kun ministro da Economia Chinês, em entrevista para a Reuters feita há três anos — frase que continua atual na condução econômica do país asiático. (Crédito:Li Xin)

Na quarta-feira (25), o BC da China realizou a compra reversa de 10 bilhões de yuans (cerca de US$ 1,5 bilhão) para manter a liquidez no sistema bancário. Nesse tipo de transação, o banco central compra títulos de bancos comerciais por meio de licitação, com um acordo para vendê-los de volta no futuro.

BOLSOLÃO: TEMPORADA INVERNO
Seu dinheiro… No lixo

Divulgação

R$ 381 milhões valor gasto na compra de caminhões de lixo

R$ 109 milhões indício de pagamentos superfaturados

Sabe esse Congresso aí? Deu no que deu. Dinheiro da educação indo para kit robótica superfaturado, ou para as escolas fake, fora as mutretagens da saúde em nome de combater a pandemia. Desta vez, a pilhagem se deu na coleta de lixo. De acordo com reportagem publicada por O Estado de S.Paulo no domingo (22), das entranhas dos parlamentares saíram a compra e distribuição de caminhões de lixo para pequenas cidades. Houve salto de 474% em dois anos: de 85 veículos (2019) para 488 (2021). Ah, junto saltou o preço. A reportagem identificou R$ 381 milhões em compras para esse fim, sendo que o montante inflado bateu em R$ 109 milhões. Só para lembrar, em outubro do ano passado, em Fortaleza, brasileiros lutavam na traseira de um caminhão de coleta de lixo para pegar restos de comida (imagem acima).

FUTEBOL
Flamengo se destaca

Alexandre Vidal

Ranking elaborado pela consultoria inglesa Brand Finance, especializada em valoração de marcas, coloca o brasileiro Flamengo como o único não europeu entre os 50 maiores clubes no segmento do futebol. O time carioca foi avaliado em 96 milhões de euros (cerca de meio bilhão de reais) — no Brasil, o segundo posto é do Palmeiras (42 milhões de euros). Para elaborar a lista, a consultoria calcula o valor da marca usando uma metodologia chamada Royalty Relief, “que determina o valor que uma empresa estaria disposta a pagar para licenciar a marca como se não a possuísse, numa abordagem que envolve ainda estimar a receita futura e calcular uma taxa de royalties que seria cobrada pelo seu uso”, além de indicadores financeiros, de reputação, inovação e sustentabilidade. O ranking é liderado pelo espanhol Real Madrid (1,5 bilhão de euros), mas dominado por clubes ingleses — seis times no Top 10 (em bilhão de euros).

1.  Real Madrid 1,5 bi
2.  Manchester City 1,3 bi
3.  Barcelona 1,3 bi
4.  Liverpool 1,3 bi
5.  Manchester United 1,3 bi
6.  Bayern Munich 1,1 bi
7.  PSG 1,0 bi
8.  Tottenham 0,873
9.  Chelsea 0,855
10. Arsenal 0,793

ELEIÇÕES 2022-PARTE 2
Corrida acelera

Pesquisas divulgadas entre sexta-feira (20) e quarta-feira (25) mostram variações de 8 a 12 pontos entre Lula (PT) e o presidente JB (PL). Somados, os dois carregam entre 72% e 78% das intenções de voto, o que obriga qualquer variação de terceiro nome a buscar votos dentro de bolsões de eleitores que já se declaram decididos. Paralelamente, o pior Congresso da República na história — o de orçamentos secretos e desmanche fiscal — prepara um novo Código Eleitoral que, entre outras mutretagens, prevê censura a divulgação de pesquisas. A Câmara já aprovou o texto em setembro e o Senado deve avaliá-lo até o fim de junho.