Economia

‘Barão do bitcoin’ escapa de condenação pesada no Japão

‘Barão do bitcoin’ escapa de condenação pesada no Japão

(2017) O francês Mark Karpeles participa de entrevista coletiva em Tóquio - AFP/Arquivos

Um tribunal de Tóquio condenou o francês Mark Karpelès, conhecido como “barão do bitcoin”, acusado de fraude, a dois anos e meio de prisão com suspensão condicional da pena. A pena ficou muito abaixo dos 10 anos de prisão solicitados pelo promotor contra o homem que dirigiu, até a falência em 2014, a empresa MtGox, que se tornou a maior casa de intercâmbio de bitcoins no mundo.

Karpelès, 33 anos, declarou ser inocente. Ele foi levado a julgamento por abuso de confiança por supostamente ter manipulado dados e fundos comerciais “com o objetivo de cobrir gastos pessoais, sem cumprir as obrigações de seu cargo”. o francês foi absolvido da acusação de desvio de dinheiro.

Os fatos atribuídos a Karpelès foram revelados por uma investigação sobre o desaparecimento repentino de centenas de milhares de bitcoins. A MtGox foi, de acordo com o executivo, vítima de um ataque de hackers, o que várias investigações no exterior parecem confirmar.

O tribunal estabeleceu uma diferença entre as acusações e, finalmente, manteve apenas a de falsificação de dados para a criação de uma falsa moeda virtual, com “manifesta vontade de dissimulação”. A atitude, “levando em consideração o valor considerável em jogo, afetou muito a confiança dos usuários”, afirmaram os juízes.

Mark Karpelès “abusou de seus conhecimentos como engenheiro de computação e de sua posição e autoridade”, completaram os magistrados. “O veredicto o absolveu totalmente das suspeitas de enriquecimento pessoal e isto é muito importante”, disse à AFP seu advogado, Nobuyasu Ogata, ao citar o que informou ser a maior preocupação de seu cliente.

A Promotoria acusava Karpelès de múltiplas transferências de dinheiro da conta da empresa para sua conta bancária para gastos pessoais, simulando empréstimos a curto prazo, sem contrato ou juros. O tribunal considerou, no entanto, que com o dinheiro ele pagava diversos gastos operacionais da empresa e não abusava de modo indevido dos recursos da companhia.