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Jacinda Ardern, uma premiê à prova de crises na Nova Zelândia

Jacinda Ardern, uma premiê à prova de crises na Nova Zelândia

Primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, em Wellington em 13 de outubro de 2020 - AFP

Jacinda Ardern assumiu seu cargo de primeira-ministra em 2017, fazendo a apologia do pensamento “positivo”, uma atitude que se lhe mostrou muito útil durante seu primeiro mandato, marcado por uma série de crises sem precedentes na Nova Zelândia.

A líder trabalhista, reeleita neste sábado, teve que lidar com o pior ataque terrorista do arquipélago, uma erupção vulcânica, a recessão mais severa em mais de 30 anos e o desafio histórico da pandemia.

Ela também deu à luz seu primeiro filho, tornando-se um símbolo do progressismo de centro-esquerda em um mundo dominado por figuras masculinas populistas.

Em março de 2019, Ardern mostrou suas qualidades quando um supremacista branco matou friamente 51 fiéis em duas mesquitas em Christchurch (sul). Adern reagiu à carnificina com uma mistura de compaixão, solidariedade e dor compartilhada, confortando as vítimas.

Mas também se destacou pela resposta política, defendendo o controle de armas e a necessidade de incitar as redes sociais a atuar contra o conteúdo extremista, o que lhe rendeu elogios no exterior.

Durante a campanha, seu partido aproveitou ao máximo seus sucessos no outro teste de sua gestão, a pandemia, que matou 25 pessoas no arquipélago de cinco milhões de pessoas.

Apresentando as eleições como “as eleições covid-19”, a líder neozelandesa insistiu que seu partido era o único capaz de garantir a segurança dos neozelandeses, graças a uma estratégia que envolve controle de fronteira rígido e campanhas extensas de detecção.

Espera-se que os trabalhistas obtenham maioria absoluta ao final das eleições legislativas, resultado que nenhum partido alcançou desde a reforma eleitoral de 1996.

– Jacindamania –

Nascida em 1980 em Hamilton, ao sul de Auckland, Ardern diz que forjou suas convicções de esquerda em contato com a pobreza que viu na Nova Zelândia.

Filha de um policial, ela foi criada na fé mórmon, da qual renunciou nos anos 2000 devido às posições da igreja sobre a homossexualidade.

Muito cedo se interessou por política e ingressou nas organizações trabalhistas da juventude.

Depois de estudar comunicação, trabalhou para a primeira-ministra Helen Clark e, mais tarde, em Londres, para Tony Blair.

Eleita para a Câmara dos Representantes em 2008, e sempre reeleita desde então, Ardern tornou-se vice-presidente do Partido Trabalhista em março de 2017.

Ela assume a liderança da oposição com a renúncia de seu antecessor Andrew Little no início de agosto de 2017, a menos de dois meses da eleição, quando o Partido Trabalhista tinha apenas 23% das intenções de voto.

Acompanhada por uma impressionante onda de simpatia denominada “Jacindamania” pela mídia, ela baseou sua campanha na promessa de uma “mudança” de geração após nove anos de reinado de centro-direita e ofereceu aos trabalhistas uma vitória inesperada.

Um ano depois, ela se tornou a segunda primeira-ministra do mundo – depois da paquistanesa Benazir Bhutto em 1990 – a dar à luz durante seu mandato.

Meses depois, compareceu à assembleia geral das Nações Unidas com seu companheira, Clarke Gayford, que cuida de seu bebê, imagem em forma de manifesto pela igualdade entre homens e mulheres, uma de suas lutas.

Seu ativismo a favor da luta contra as alterações climáticas a marcou com o selo “anti-Trump”. Internamente, entretanto, sua vontade de reforma foi muitas vezes prejudicada por Winston Peters, chefe do populista partido New Zealand First e um parceiro não natural na coalizão governamental.

Um obstáculo que deve ser eliminado no seu segundo mandato, graças à sua esmagadora maioria parlamentar.

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