Finanças

Itaú Unibanco é o maior banco do Brasil

Banco das famílias Setubal, Villela e Moreira Salles ultrapassa o BB e se torna o maior do País, em ativos. Até quando?

Crédito: João Castellano/ Istoé

Setubal, do Itaú Unibanco: exemplo de sucesso entre as empresas familiares (Crédito: João Castellano/ Istoé )

Empresas familiares são difíceis de administrar no longo prazo. No Brasil, a transição entre gerações costuma vitimar patrimônios e provocar prejuízos. Segundo a pesquisa “Retratos de Família”, realizada em 2015 pela consultoria KPMG junto a 201 companhias familiares brasileiras, apenas 10% delas estavam na terceira geração. Empresas controladas por várias famílias são ainda mais propensas a crises. Nesse aspecto, o Itaú Unibanco é uma exceção. Originalmente controlado pelos Villela e pelos Setubal, em 2008 fundiu-se com o Unibanco e abrigou mais uma família, a dos Moreira Salles.

Oito anos depois, Roberto Setubal, que preside o banco desde 1994, está prestes a transferir o posto para Cândido Bracher, para ascender à presidência do conselho de administração, em abril deste ano. Ele vai dividir o comando estratégico do Itaú Unibanco com o banqueiro Pedro Moreira Salles. A saída de Roberto da chefia executiva não poderia ser mais consagradora: ele realizou o sonho de seu pai, Olavo Setubal, e fez do Itaú o maior banco do Brasil. É certo que a crise econômica e o Banco do Brasil, seu maior concorrente, deram uma ajuda para a conquista do troféu.

Ao divulgar os resultados de 2016, na quinta-feira 16, o BB anunciou ativos totais consolidados de R$ 1,401 trilhão, levemente abaixo do R$ 1,425 trilhão obtido pelo Itaú Unibanco no mesmo período. Eleito Empresa do Ano pelo anuário AS MELHORES DA DINHEIRO 2016, o Itaú Unibanco ultrapassara o Bradesco em 2008, bem como o BB, que recuperou a liderança pouco depois (veja gráfico abaixo). Hoje, o Itaú é também o primeiro em lucro líquido (R$ 21,64 bilhões) e em valor de mercado (R$ 248,1 bilhões, na quinta-feira 16).

Paulo Caffarelli, presidente do BB: “Nosso foco, a partir de agora, é a rentabilidade”
Paulo Caffarelli, presidente do BB: “Nosso foco, a partir de agora, é a rentabilidade” (Crédito:Claudio Belli/Valor /Ag O Globo)

Com esse resultado, o Itaú colheu os frutos de uma estratégia cautelosa. No início do ano passado, ao anunciar lucros de R$ 23,4 bilhões em 2015, Setubal advertiu que os resultados iriam piorar. Dito e feito: em 2016, o banco desacelerou a concessão de empréstimos. A carteira total cresceu apenas 2,2%, para R$ 598 bilhões, e o lucro encolheu 7,4%. A maior queda foi nos empréstimos para empresas, que recuaram 15,7%, para R$ 243,1 bilhões. Um fenômeno análogo fez o BB perder a liderança – até quando, não se sabe.

O total de empréstimos do banco estatal encolheu 11,3% em 2016, recuando para R$ 708,1 bilhões, ante R$ 798,4 bilhões de 2015. A maior queda foi nos créditos às pessoas jurídicas. Eles encolheram 19,2%, caindo de R$ 364,6 bilhões para R$ 294,7 bilhões. No Itaú Unibanco, essa retração foi de 15,7%. “Além das dificuldades com grandes empresas que entraram em recuperação judicial ao longo de 2016, reduzimos os empréstimos para pequenas e médias empresas em R$ 25 bilhões”, diz Paulo Caffarelli, presidente do BB.

Como resultado, o lucro líquido do BB caiu 44%, recuando de R$ 14,4 bilhões em 2015 para R$ 8 bilhões no ano passado. Os investidores gostaram do que viram: as ações do BB encerraram a quinta-feira 16 em alta de 3,2%, a R$ 32,89. Em termos nominais, é o valor mais elevado desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Tito Labarta, analista de bancos do Deutsche Bank em Nova York, explica a alta: a queda no lucro já era esperada e decorreu do programa de ajustes iniciado no ano passado. “O banco melhorou seu resultado operacional e os prognósticos indicam uma forte recuperação no lucro no curto prazo”, diz Labarta.

Ele recomenda comprar as ações, assim como Jörg Fierdemann, analista da Citi Corretora, que estabelece um preço-alvo de R$ 36,00. Caffarelli afirma que o objetivo agora é o resultado financeiro. “Fizemos um ajuste severo, nossos programas de demissão reduziram o quadro de colaboradores em mais de dez mil pessoas”, diz ele. Houve uma economia de R$ 2,3 bilhões por ano, pois os salários são 60% dos custos. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido consolidado caiu de 16,1% em 2015 para 8,4% em 2016. A meta para 2017 oscila entre 9,5% e 12,5%. “Nosso foco, a partir de agora, é a rentabilidade.”

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