Economia

Itaú não considera revisar projeção de crescimento de 4% do PIB para 2018


O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita, afirmou que a instituição não considera revisar para baixo sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2018, hoje em 4%. Mais cedo, o presidente do banco, Roberto Setubal, afirmou que uma taxa de expansão na casa dos 4% no próximo ano “seria ótima”, mas ele prevê um avanço menor.

“Temos um processo de governança clara e total independência intelectual. Roberto é observador agudo, perspicaz e tem visão diferente da nossa”, explicou Mesquita, a jornalistas, após evento do Itaú Unibanco nesta terça-feira, 18, em São Paulo.

Pela manhã, Setubal disse que o banco está preparado para crescimento do País ao redor dos 4%, mas repetiu que a recuperação do País segue lenta por conta da atual situação das empresas e também da retomada do emprego. “Vejo a economia se recuperando muito mais lenta que os números propostos para 2018”, afirmou o presidente do Itaú.

‘Bem provisionado’

O presidente do Itaú Unibanco destacou que novos casos grandes de recuperações judiciais no Brasil podem ocorrer, mas que o banco está bem provisionado. Disse ainda, em conversas com jornalistas, que a economia brasileira se recupera lentamente, mas que este processo é sólido. “Tivemos problemas muito grandes com a Lava Jato, mas estamos bem provisionados. Não esperamos perdas expressivas”, afirmou Setubal, durante debate em evento do Itaú Unibanco.

De acordo com ele, as delações que ocorrem agora no âmbito da Lava Jato devem trazer impacto muito positivo a médio prazo no Brasil. Destacou ainda que o Brasil teve “grandes problemas” com a Lava Jato e que ocorreu em Brasília foi um “desrespeito muito grande para a governança”.

Crédito

Mesmo cético em relação aos números estimados para o crescimento do País, o presidente do Itaú Unibanco acredita no crescimento do crédito neste ano. “O momento atual não é sazonalmente de demanda, mas o crédito vai crescer neste ano”, disse ele a jornalistas.

Do lado do crédito corporativo, o vice-presidente de crédito corporativo e de banco de investimento do Itaú BBA, Alberto Fernandes, disse que a demanda ainda vai demorar para se materializar no Brasil. Ainda que os leilões já feitos tenham tido resultado positivo, ele lembra que os investimentos devem ser feitos apenas em 2018 e que há vários setores que ainda estão retomando como é o caso da indústria, setor automobilístico, de aço e ainda o de construção civil que, segundo ele, vai demorar um bom tempo para retomar o ritmo de investimentos.

Apesar disso, Fernandes disse, a jornalistas, que os grandes problemas de crédito estão mapeados e que não há nada novo no horizonte.

Reformas

As reformas atuais do Brasil terão resultado daqui a quatro ou cinco anos, na opinião de Roberto Setubal. “As eleições de 2018 serão muito relevantes dependendo de quem for escolhido. Se a gestão do próximo presidente for de continuidade, ele colherá frutos das reformas atuais”, afirmou.

Ele explicou que assim como o Plano Real gerou benefícios nos anos seguintes, o mesmo ocorrerá com as reformas atualmente em debate.

De acordo com Setubal, a reforma trabalhista trará muitos ganhos ao setor privado enquanto que a da Previdência será “muito importante” para o setor público. Afirmou ainda que a reforma da Previdência é importante para a estabilidade no lado fiscal e para viabilizar um maior crescimento do País.

Sobre a possibilidade de aumento de impostos, Setubal afirmou que essa é uma decisão do ministro (da Fazenda), mas que ninguém deseja o aumento dos impostos no País. “Se as contas do País ficarem inevitavelmente ruins, talvez seja necessário o aumento de impostos”, avaliou o presidente do Itaú

Gestor

O presidente do Itaú Unibanco disse que não é possível imaginar que um “gestor competente” vai resolver os problemas do Brasil. “A interação com a sociedade, com o Congresso, é uma atividade política. Não basta colocar um gestor competente para resolver os problemas do Brasil. O que a gente precisa é de bons políticos”, assinalou.

Ao responder uma pergunta a respeito do surgimento de mais empresários na política, Setubal comentou que vê espaço para que aqueles que gostam de política tentem uma nova carreira. Considerou ainda que os empresários podem trazer uma forma diferente de ver a política e de gerir a coisa publica. Mas avaliou que, no fim, o que o Brasil precisa é de “bons políticos”.

Ao iniciar sua resposta, o presidente do Itaú Unibanco deixou claro que não tem pretensão a concorrer a nada. “Posso contribuir muito ao Brasil na iniciativa privada.”

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