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Irã mantém tom duro, mas tenta diminuir tensão com EUA

Irã mantém tom duro, mas tenta diminuir tensão com EUA

Aiatolá Ali Khamenei ouve discurso do presidente Hassan Rohani - KHAMENEI.IR/AFP

O Irã tentou reduzir, nesta quinta-feira (16), a tensão com os Estados Unidos após os incidentes no Golfo, sem renunciar, no entanto, a sua linha dura em relação a Washington.

“Esse confronto não é militar, porque não haverá guerra. Nem nós, nem eles [os Estados Unidos] buscam a guerra. Eles sabem que isso não seria do interesse deles”, declarou esta semana o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica.

“A nação iraniana está determinada a resistir aos Estados Unidos”, garantiu ele, porém, reiterando sua posição contra qualquer tipo de negociação “com o atual governo americano”.

Essas declarações não impediram o presidente Donald Trump de dizer na quarta-feira que “tem certeza” de que o Irã gostaria de negociar “em breve” com seu país.

As afirmações de Khamenei refletem a ideia das autoridades iranianas de que Trump “não está preparado para lançar uma guerra em larga escala em uma região sensível”, afirmou Amir Mohebbian, um político conservador e analista de questões iranianas, falando à AFP.

Respondendo às acusações dos Estados Unidos, as autoridades iranianas pediram a Washington que se abstenha de qualquer ataque.

“O Irã é uma nação grande demais para ser intimidada”, disse o presidente Hassan Rohani na segunda-feira.

“Nós agimos com a máxima moderação diante de uma escalada inaceitável” dos Estados Unidos, afirmou nesta quinta-feira o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif.

“As autoridades iranianas seguem o slogan do Guia Supremo iraniano ‘nem guerra nem negociação’ com o governo Trump”, disse à AFP Clément Therme, especialista iraniano do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS).

– Meios militares limitados –

O Irã tem um número significativo de soldados, cerca de 475.000 homens no total, levando-se em conta o Exército nacional e a Guarda Revolucionária, de acordo com o IISS.

Como uma das consequências do embargo internacional às armas, o país tem uma força aérea relativamente pequena e pouco moderna. Além disso, por causa das tensões econômicas, o Irã não pode aumentar substancialmente seus gastos com defesa.

Já o PIB dos Estados Unidos é 47 vezes maior do que o do Irã, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

As relações entre Teerã e Washington estão tensas desde a decisão de Trump, há um ano, de retirar seu país do acordo nuclear de 2015 e tem piorado nas últimas semanas.

Em 8 de maio passado, o Irã anunciou a suspensão de alguns de seus compromissos com esse pacto.

Segundo Amir Mohebbian, no momento, o Irã “agiu sabiamente, exibindo flexibilidade e moderação para mostrar ao mundo que Trump está tentando destruir” o acordo de 2015.

Segundo esse analista, a República Islâmica tenta não cair na “armadilha” do presidente dos Estados Unidos.

Em abril, Washington anunciou a inclusão da Guarda Revolucionária na lista de “organizações terroristas internacionais”.

Teerã respondeu dizendo que consideraria as tropas dos Estados Unidos destacadas no Chifre da África e na Ásia Central como “grupos terroristas”.

De acordo com Clément Therme, porém, há “dificuldades em concretizar essas ameaças contra as forças militares dos Estados Unidos na região”, porque elas colocam em risco “as relações entre os vizinhos – com o governo iraquiano, por exemplo”.

“No Irã, a guerra Irã-Iraque (1980-88) ainda está muito presente na memória coletiva, e um dos principais pontos fortes da República Islâmica é assegurar uma certa estabilidade para a população, em comparação com os fracos Estados iraquiano e afegão”, conclui o especialista.