Giro

Investigação sobre confronto em sinagoga do Texas será ‘global’

Investigação sobre confronto em sinagoga do Texas será ‘global’

Veículos policiais perto da sinagoga Beth Israel em Colleyville, Texas, em 16 de janeiro de 2022 - AFP

Autoridades dos Estados Unidos iniciaram neste domingo (16) uma investigação de “alcance global” sobre o suspeito que morreu após manter quatro pessoas como reféns em uma sinagoga do Texas, onde aparentemente exigia a libertação de uma mulher condenada por terrorismo.

Os quatro reféns – entre eles um respeitado rabino local, Charlie Cytron-Walker – foram libertados ilesos na noite de sábado, provocando alívio nos Estados Unidos, onde a comunidade judaica e o presidente Joe Biden renovaram seus apelos pelo combate ao antissemitismo.



O suspeito foi identificado neste domingo pelo FBI (a Polícia Federal dos EUA) como Malik Faisal Akram, um cidadão britânico de 44 anos. Não se sabe se a equipe que realizou a operação matou o homem ou se ele se suicidou.

“Neste momento, não há indícios de que haja outras pessoas envolvidas”, afirmou o escritório do FBI em Dallas em um comunicado, acrescentando que os investigadores continuam “analisando as provas coletadas na sinagoga”.

A investigação terá “um alcance global”, disse o agente especial do FBI Matt DeSarno a repórteres na pequena cidade texana de Colleysville, após o fim do impasse. “Estivemos em contato com várias pistas do FBI que incluem Tel Aviv e Londres”, acrescentou.

+ Confira 10 receitas para reaproveitar ou turbinar o arroz do dia a dia


A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss, classificou neste domingo o episódio como um “ato de terrorismo e antissemitismo”. “Estamos com os Estados Unidos na defesa dos direitos e das liberdades de nossos cidadãos contra aqueles que espalham ódio”, afirmou.

Citando um alto funcionário, a rede ABC relatou que o homem exigia a libertação de Aafia Siddiqui, uma cientista paquistanesa condenada a 86 anos de prisão, em 2010, por um tribunal de Nova York. Ela foi considerada culpada de tentativa de assassinato de autoridades americanas no Afeganistão.


Em um comunicado à CNN, o advogado de Siddiqui, que está detida em uma prisão no Texas, disse que ela “não tem absolutamente nenhum envolvimento” na situação dos reféns e condenou o incidente.

Siddiqui foi a primeira mulher suspeita de ter ligações com a rede jihadista Al Qaeda a ser presa nos Estados Unidos, ganhando o apelido de “Lady Al Qaeda”.

O agente DeSarno não confirmou as exigências do suspeito, mas disse que estavam “focadas em uma questão que não era especificamente uma ameaça à comunidade judaica”.

– Live no Facebook –

A certa altura, o confronto envolveu cerca de 200 agentes das forças de segurança locais, estaduais e federais reunidos em torno da Congregação Beth Israel, em Colleyville.

Uma transmissão ao vivo da página da sinagoga no Facebook durante o culto do “Sabbat” pareceu captar a voz do homem falando, em tom muito alto, embora não mostrasse a cena dentro do centro religioso.

Na transmissão, ouvia-se um homem afirmar: “Ponham minha irmã no telefone” e “Eu vou morrer”. Ele dizia ainda: “Há algo de errado com os Estados Unidos”.

De acordo com a ABC News, o sequestrador estava armado e alegou ter bombas em vários locais, o que não foi confirmado.

Um dos reféns foi liberado no início da intervenção policial. Depois de horas do que, segundo a polícia, foram extensas negociações com o suspeito, uma equipe de elite da SWAT invadiu a sinagoga.

Jornalistas que estavam próximos relataram ter ouvido um estrondo – provavelmente uma granada de fragmentação usada como distração – e tiros.

– “Terrível” –

Ellen Smith, membro dessa congregação que cresceu frequentando a sinagoga, disse em entrevista à CNN que a situação foi “chocante e terrível”.

Para ela, este evento não foi uma surpresa. “Os casos de antissemitismo têm crescido ultimamente, mas desde que os judeus caminham pela Terra, somos perseguidos”, comentou.

O incidente despertou preocupação na comunidade judaica e no governo de Israel, cujo primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, afirmou estar acompanhando “de perto” a situação.

Sinagogas em várias cidades dos EUA aumentaram sua segurança após o ataque, embora as autoridades tenham dito que não acreditam que o incidente seja parte de uma ameaça global.

O presidente Joe Biden prometeu “se opor ao antissemitismo e ao aumento do extremismo”.