Estilo

Interesse renovado pelo mobiliário de luxo

Após o susto provocado pela pandemia, a tradicional marca de móveis Breton vê o segmento ganhar fôlego, retoma plano de expansão e quer dobrar de tamanho até 2025.

Crédito: Claudio Gatti

EXPANSÃO MOBILIÁRIA O CEO André Rivkind quer aumentar a quantidade de lojas no Brasil e levar seus móveis de alto padrão para fora do País. (Crédito: Claudio Gatti )

Representante da terceira geração da família a comandar a Breton, fabricante de mobiliário de luxo com mais de 50 anos de história, o executivo André Rivkind assumiu a posição do pai, no início de 2020, com a missão de colocar a empresa na liderança do segmento no Brasil. Pouco mais de dois meses após a troca do bastão, no entanto, Rivkind se viu com um novo objetivo, muito mais urgente: sobreviver à crise. Contratos foram renegociados, a equipe foi reduzida e um canal de vendas on-line foi montado. Agora, pouco mais de um ano após o susto inicial, a Breton já retomou planos de expansão. A equipe, que tinha 480 pessoas antes da pandemia, já cresceu e hoje tem 520 colaboradores.

Mesmo durante a crise sanitária, a empresa conseguiu inaugurar duas novas unidades, em Manaus e Boa Vista. A meta é acelerar o crescimento da rede. Até o final de 2021, serão abertas três novas lojas, em Balneário Camboriú, Porto Alegre e Cuiabá, elevando a 14 o total, entre franquias e unidades próprias. Até o final de 2025, o objetivo é dobrar esse tamanho. “É muito importante ter alguém local, que conheça o mercado e os profissionais de arquitetura e decoração da região. Por isso, esse formato de franquia ajuda a acelerar o processo de expansão”, afirmou o CEO André Rivkind à DINHEIRO.

O momento, segundo ele, é positivo. E os indicadores podem ser vistos em outro setor: o imobiliário. A previsão de crescimento do mercado para 2021 é de 30%. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o volume de financiamentos cresceu 113% em comparação com o mesmo período de 2020, de acordo com dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). “Olhamos muito para o setor imobiliário como referência. E ele está aquecido, o que significa que temos pelo menos mais dois, três anos de mercado bom. Porque nosso produto está no fim dessa jornada”, afirmou.

Quando a rede estiver maior em território brasileiro, Rivkind quer dar um passo além e internacionalizar a marca. “Temos várias regiões mapeadas, como a América Latina, os Estados Unidos, um pedaço da Europa – principalmente Portugal e Espanha, e Oriente Médio”, disse Rivkind. “Ainda não definimos a estratégia, mas há um desejo de ir para fora do País em poucos anos.”

Para acompanhar o momento de retomada, a Breton está lançando sua nova coleção 2021. Chamada de Lar Breton, ela tem a proposta de oferecer aconchego no convívio com familiares e amigos. “Todos são esteticamente bonitos, mas acreditamos que um móvel tem que ter uma função. Você precisa sentar e se sentir bem”, disse Rivkind. A lista de parceiros responsáveis pela concepção das peças inclui designers e arquitetos, como Brunno Jahara, Naná Mendes da Rocha (filha de Paulo Mendes da Rocha), Carol Gay, Karol Suguikawa e o estúdio Eminência em Preto. Mas também estilistas, como Reinaldo Lourenço e as irmãs Lilly e Renata Sarti. “Houve uma preocupação em traduzir a sensação da roupa que eles criam em um mobiliário”, afirmou Rivkind. O segmento em que a Breton atua foi beneficiado por uma mudança importante no comportamento dos consumidores: o renovado interesse pelo lar. Glaucus Cianciardi, professor do Centro Universitário Belas Artes , resume esse momento. “A casa venceu. As pessoas passaram a rever a casa como um espaço de longa permanência, quando antes não tínhamos isso. Passávamos muito tempo na rua, correndo de um lado para outro”, afirmou.

NOVAS PRIORIDADES Desde que as medidas de restrição foram adotadas, as pessoas passaram mais tempo fechadas em suas residências. Aquela reforma que estava sempre sendo adiada subiu na lista de prioridades e os móveis ganharam renovada importância. “O momento pandêmico provoca uma série de alterações biológicas, em nossos hormônios. É comum perder o prazer nas coisas. E o cérebro passa a comandar nossas ações”, disse Cianciardi.

Os profissionais do setor vão buscar na neuroarquitetura, o estudo da neurociência aplicada à arquitetura, ideias de como o design de interiores pode oferecer um caminho para aumentar a qualidade de vida. Ter um mobiliário de alto padrão deixa de ser apenas algo aspiracional para oferecer um prazer real. E apesar da crise, o mercado de luxo brasileiro sofreu menos que outros setores. Segundo a consultoria Euromonitor, a retração foi de 11%, abaixo da média global, de 13%. A recuperação também será acelerada e deve acompanhar o ritmo mundial, acumulando ganhos de 34% até 2025. “O mercado de luxo é o último que morre”, disse Cianciardi.