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Rebeldes abandonam áreas importantes do noroeste da Síria

Rebeldes abandonam áreas importantes do noroeste da Síria

Veículo do exército sírio avança para a cidade de Khan Sheikhun em 18 de agosto de 2019 - AFP

Jihadistas e rebeldes abandonaram nesta terça-feira setores chave da região de Idlib, no noroeste da Síria, depois que as forças do regime de Damasco cercaram suas posições, informou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Os combatentes jihadistas e os insurgentes se retiraram da cidade de Khan Sheikhun, na província de Idlib, e várias localidades do norte da província vizinha de Hama, onde fica um posto de observação estratégico da Turquia.

Com o recuo, o posto de observação turco na cidade de Morek, a uma dezena de quilômetros de Khan Sheikhun, está cercado pelas forças leais ao presidente sírio Bashar al-Assad, afirmou à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

O regime sírio, apoiado pela Rússia, intensificou há alguns meses os bombardeios sobre Idlib e setores das províncias de Hama, Aleppo e Latakia, que ainda não estão sob seu controle.

Nesta terça-feira, 12 civis – incluindo três crianças – morreram nos bombardeios contra várias localidades do sudeste de Idlib, incluindo nove vítimas da aviação russa, segundo o OSDH.

No domingo, as forças do governo assumiram o controle de áreas do norte da cidade estratégica de Khan Sheikhun.

A Turquia, que apoia grupos rebeldes em Idlib, está presente na região como parte de um acordo estabelecido no ano passado com a Rússia, para evitar uma grande ofensiva.

O acordo previa a criação de uma zona desmilitarizada para separar as forças do regime das zonas controladas pelos jihadistas e rebeldes, e permitia à Turquia estabelecer postos de observação.

Na segunda-feira, a tensão aumentou entre o regime sírio e Ancara após a chegada de um comboio militar turco às imediações de Khan Sheikhun.

O governo da Síria acusou a Turquia de enviar “veículos carregados de munições” para ajudar os jihadistas e os rebeldes ante o avanço do exército de Damasco.

O OSDH informou que aviões russos e sírios atacaram os arredores do comboio, o que provocou três mortes.

O jornal sírio Al Watan (pró-governo) indicou que os ataques visaram um veículo rebelde que guiava o comboio.

“Foi uma clara advertência contra as tentativas turcas de ressuscitar os terroristas”, afirmou o jornal.

A Turquia condenou com veemência o ataque e considerou que era uma “contradição com os acordos existentes, a cooperação e o diálogo com a Rússia”.

Depois de oito anos de guerra, a província de Idlib está parcialmente fora do controle do regime sírio. A região é dominada pelo grupo jihadista Hayat Tahrir al-Sham (HTS, ex-braço sírio da Al-Qaeda) e por diversos grupos rebeldes.

Centenas de milhares de deslocados, obrigados a fugir de outras zonas de combate, vivem nesta região. A ONU teme uma catástrofe humanitária em caso de continuidade dos combates.

Mais de 860 civis morreram nos bombardeios do regime sírio e da Rússia desde o fim de abril, de acordo com um balanço do OSDH.

A guerra na Síria começou em março de 2011 e provocou mais de 370.000 mortes.