Agronegócio

Insumos: com aquisição da Valagro, Syngenta cresce em biológicos e mira no Brasil

Crédito: AFP/Arquivos

A aquisição da empresa italiana de produtos biológicos Valagro foi feita por meio da unidade de negócio Syngenta Crop Protection (proteção de cultivos) (Crédito: AFP/Arquivos)

São Paulo, 06 – O grupo Syngenta anunciou nesta terça-feira (6) a aquisição da empresa italiana de produtos biológicos Valagro por meio de sua unidade de negócio Syngenta Crop Protection (proteção de cultivos). O valor do investimento não foi revelado. Com o anúncio, a Syngenta deve se tornar um dos três principais players globais em produtos biológicos e se prepara para buscar a liderança do mercado, disse o head global de biológicos da Syngenta, Corey Huck, em entrevista. A empresa se disse aberta a novas aquisições no setor de biológicos no futuro.

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Segundo Huck, o mercado de biológicos hoje no mundo é de cerca de US$ 4 bilhões, mas deve chegar a US$ 10 bilhões até 2023. “Durante esse período de tempo, queremos nos tornar os líderes de mercado”, afirmou. Conforme o executivo, atualmente o segmento é fragmentado, com muitos participantes diferentes. “Acreditamos que há uma oportunidade de trazer ciência, uma mensagem realmente clara e um portfólio de produtos excelentes para os produtores de todo o mundo.”

Conforme o executivo, a operação da Valagro “é muito complementar” à da Syngenta. A empresa disse esperar que o portfólio em bioestimulantes e nutrientes especializados da Valagro complemente a gama atual de bioestimulantes e biocontroles da Syngenta Crop Protection, assim como sua futura linha de soluções biológicas. “Nós já temos um negócio biológico estabelecido junto com o negócio de proteção de cultivos, mas a aquisição da Valagro, com suas tecnologias e seu portfólio, expande muito, pelo menos dez vezes, o nosso portfólio anterior. Isso realmente incentiva e expande nossa base para negócios biológicos”, disse Huck.

Além disso, o executivo apontou que o investimento faz parte da estratégia da Syngenta de prover ferramentas sustentáveis aos produtores, desenvolver projetos e tecnologias para enfrentar a mudança climática e responder à demanda de consumidores por mais informações sobre como os alimentos são produzidos.

A Valagro registrou receita de US$ 175 milhões em 2019 e, entre 2009 e 2019, teve taxa composta de crescimento anual (CAGR) de aproximadamente 10%. Após a transação, continuará operando como uma marca independente no mercado como parte da operação da Syngenta Crop Protection. Segundo o CEO da Valagro, Giuseppe Natale, a percepção da necessidade de investimento constante em pesquisa em biológicos foi crítica para o negócio. “É preciso muita ciência para entender melhor como funciona o produto biológico, então estávamos, desde o começo da empresa, muito focados nisso. Acho que esse foi o terreno comum em que começamos nossa discussão.”

A Valagro tem atualmente no Brasil uma fábrica em Pirassununga, no interior de São Paulo, onde produz bioestimulantes e fertilizantes hidrossolúveis. “Nossa estratégia de produção, a planta brasileira, apoiará a expansão de toda a região Latam (América Latina) e sua pegada é ser mais eficaz e competitiva no mercado”, disse Natale. Segundo Corey, a América Latina já é uma das regiões mais importantes para o setor de proteção de cultivos da Syngenta e, para os produtos biológicos, “certamente há ambições de crescimento e participação de mercado”.

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