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Impacto do anúncio de Trump sobre Jerusalém um ano depois

Impacto do anúncio de Trump sobre Jerusalém um ano depois

Un israelí envuelto en una bandera estadounidense delante de la puerta de Damasco, en la ciudad vieja de Jerusalén, el 13 de mayo de 2018 - AFP/Arquivos

Qual foi o impacto da decisão do presidente americano Donald Trump de reconhecer, há um ano, Jerusalém como a capital de Israel?

– Decisão contra a corrente

Em 6 de dezembro de 2017, Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel, rompendo com décadas da política americana no Oriente Médio. Ele provocou a ira dos palestinos e foi desaprovado pela comunidade internacional.

Trump, que tinha se comprometido a ser o presidente mais pró-israelense da história dos Estados Unidos, ordenou preparar a mudança da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém.

Os israelenses comemoraram a decisão, considerada um reconhecimento de uma realidade histórica. De fato, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou como um dia “histórico”.

– Por que reações tão intensas?

O status de Jerusalém é uma das questões mais espinhosas do conflito entre Israel e Palestina.

Os palestinos afirmam que Jerusalém Oriental, a parte palestina da cidade conquistada em 1967 e depois anexada por Israel, é a capital do Estado que aspiram. Israel proclama Jerusalém como sua capital “eterna e indivisível”.

A comunidade internacional considera a anexação ilegal e considera Jerusalém Oriental um território ocupado.

As embaixadas estrangeiras estão localizadas fora da cidade santa, a maioria delas em Tel Aviv.

Os líderes palestinos congelaram suas relações com o governo Trump.

– Repercussões

A nova embaixada americana foi aberta em 14 de maio. Trump não compareceu à cerimônia, mas foi representado por sua filha Ivanka e seu genro Jared Kushner.

A cerimônia coincidiu com um banho de sangue na Faixa de Gaza, palco de confrontos entre palestinos e soldados israelenses na barreira fronteiriça. Pelo menos 62 palestinos foram mortos naquele dia por tiros israelenses.

Desde o início, em 30 de março, de uma mobilização na fronteira, especialmente contra o bloqueio israelense, pelo menos 235 palestinos foram mortos por tiroteios israelenses, a maioria deles em manifestações e brigas na barreira de separação com o enclave. Dois soldados israelenses morreram durante esse período.

– Exemplo a ser seguido?

Poucos países seguiram os passos de Trump.

Apenas a Guatemala migrou a manteve sua embaixada em Jerusalém.

A do Paraguai, instalada em maio, voltou a Tel Aviv quatro meses mais tarde, após a eleição do novo presidente Mario Abdo Benítez.

Dirigentes de Austrália, Brasil e República Tcheca disseram querer migrar suas embaixadas, mas isso não foi feito.

– O que aconteceu desde então?

As relações entre o governo Trump e a liderança palestina continuaram a se deteriorar.

O fechamento do escritório da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em Washington, o desaparecimento do consulado geral dos Estados Unidos para assuntos palestinos em Jerusalém e o fim da ajuda dos EUA a milhões de refugiados palestinos reforçaram a rejeição de qualquer tentativa de mediação pelo governo Trump em favor da paz com Israel.

Trump afirma que o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel elimina um obstáculo nas negociações de paz, que estão congeladas há anos.

– E no futuro?

Os dirigentes palestinos têm a sensação de que a mudança da embaixada americana será uma exceção que não será seguida por nenhuma outra grande potência. Eles continuam a boicotar o governo de Trump.

O presidente americano diz estar convencido de que os palestinos acabarão voltando à mesa de negociações e mencionou um plano de paz cujos detalhes são desconhecidos.