Finanças

Ibovespa vira no fim do pregão e fecha na mínima com aversão global a risco

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Ibovespa tenta firmar-se em nova pontuação nesta quinta-feira, com a ajuda principalmente do exterior, já zerando a queda semanal (-0,30%) logo na abertura. (Crédito: reprodução/Facebook)

Se na primeira metade dos negócios o Ibovespa operou com fôlego, a ponto de se firmar no nível dos 109 mil pontos, à tarde, o índice se rendeu ao sentimento de cautela externo. Com Nova York operando no vermelho, à espera da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), a primeira morte confirmada por infecção pela variante ômicron no Reino Unido e o petróleo em queda, a bolsa brasileira se ancorou no bom desempenho do setor de metais – que respondem a anúncios na Ásia – para tentar se manter no azul na maior parte do dia. Nos últimos minutos do pregão, contudo, enfrentou uma desaceleração contundente, acompanhando uma piora nas bolsas de Nova York, e terminou o dia na mínima, aos 107.383,32 pontos, queda de 0,35%.

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Durante a madrugada ocidental, o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, sinalizou compromisso por mais estímulos fiscais, em meio à crise de liquidez no mercado imobiliário. Com isso, as ações do setor de metais sustentaram altas robustas durante todo o dia e puxaram o desempenho do Ibovespa pela manhã. A Vale, que tem o maior peso no índice, terminou o dia em alta de 2,92%. Além disso, com o dólar valorizado, as ações de exportadoras deram sustentação para o desempenho positivo da bolsa hoje.

Esses foram os maiores contrapesos do dia para o Ibovespa, com o sentimento de aversão a risco capitaneando os mercados globais à espera de uma semana agitada à frente, com decisões de política monetária na zona do euro, na Inglaterra e, sobretudo, nos EUA. Na quarta-feira, o Fed deve anunciar uma mudança no ritmo da retirada de estímulos monetários (o tapering) e, consequentemente, no prazo para o início da alta de juros nos EUA. A aceleração do tapering coloca incertezas sobre o fluxo de investimentos global, sobretudo em relação a emergentes, que podem ver uma fuga de capital.

“Começamos com tom mais otimista, puxado sobretudo por notícias que vieram da Ásia, com estimulo do setor imobiliário, que tende a consumir muita commodity”, afirma Pedro Gimenes, sócio e líder da mesa de renda variável da Blue3, completando: “Ao longo do dia, tivemos um pouco de realização no exterior. Na sexta-feira, as bolsas americanas fecharam na máxima histórica, mas hoje abriram cautelosos, principalmente porque teremos decisão de política monetária lá fora (nos EUA)”.

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Aqui, pesa ainda a expectativa dos investidores em relação à ata do Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã. A percepção é de que o Banco Central pode ser menos duro do que soou no comunicado pós-reunião, após dados de atividade indicarem desaceleração, ao mesmo tempo em que a inflação parece ter chegado a um ponto de inflexão.

Além disso, o anúncio de que a variante Ômicron da covid-19 fez sua primeira vítima fatal no Reino Unido colocou mais incertezas no mercado e, além de conter o desempenho das bolsas lá fora, derrubou ações ligadas ao turismo no mercado brasileiro. Tanto que Gol e Azul listaram entre as maiores queda do Ibovespa durante a maior parte do pregão.


“O mercado tem monitorado o avanço da ômicron. Alguns países já estão tomando mais medidas emergenciais. Apesar de essa variante não parecer tão forte, ter um óbito preocupa. Para termos um fim de ano tranquilo, são três fatores (de incerteza) que precisam ser resolvidos: Fed, ata do Copom e o fim (da PEC dos) precatórios. Pra ver se decola o famoso rali de fim de ano”, aponta Rodrigo Friedrich, head de renda variável da Renova Invest, lembrando que, apesar de impactar menos os preços agora, a votação da Proposta de Emenda à Constituição dos Precatórios ainda precisa ser finalizada na Câmara.

O efeito Ômicron também prejudicou o petróleo hoje, à medida em que uma nova onda de restrições geradas pela variante impacta a demanda. Além disso, o dólar mais forte torna o barril menos atraente a operadores. Assim, o barril do WTI negociado para janeiro fechou em baixa de 0,53% e o Brent para fevereiro, em queda de 1,01%, prejudicando o desempenho das petroleiras, que ganharam na semana passada com a alta da commodity. No mês, tanto o óleo negociado em Nova York, quanto em Londres têm alta superior a 6%.

Como tantas incertezas, o Ibovespa, que de manhã tocou os 109.492,91 pontos na máxima do dia, em alta de 1,61%, zerou todos os ganhos e não só perdeu o patamar dos 109 mil pontos, mas também os 108 mil reconquistados na semana passada. Apesar do desempenho de hoje, no mês o principal índice da bolsa brasileira ainda acumula alta de 5,37%.