Finanças

Ibovespa sobe 1,04%, a 112,8 mil pontos, apesar da aversão global a risco

Crédito: Divulgação / B3

Na semana, o índice de referência passa a subir 0,01% e retorna ao positivo no mês, com ganho de 0,67% (Crédito: Divulgação / B3)

O Ibovespa desacelerou ao longo da tarde, mas teve fôlego para zerar as perdas do dia anterior ao fechar nesta terça-feira em alta de 1,04%, aos 112.891,80 pontos, vindo de série de três sessões negativas. Hoje, oscilou entre mínima de 111.727,17, da abertura, e máxima de 113.314,97, com giro a R$ 30,2 bilhões após o feriado de ontem nos Estados Unidos, que havia reduzido muito o volume de negócios na B3. Na semana, o índice de referência passa a subir 0,01% e retorna ao positivo no mês, com ganho de 0,67% – no ano, o avanço é de 7,70%. Em Nova York, após a pausa para o Dia do Presidente, o ajuste à escalada de tensões na Ucrânia resultou em queda de 1,01% (S&P 500) a 1,42% (Dow Jones) no encerramento da sessão.

“O Ocidente busca trabalhar com sanções para reverter o ímpeto russo e evitar uma guerra. O fluxo para o Brasil é uma questão a debater porque, com aumento da percepção de risco (global), a tendência seria de saída (de recursos), bem como de demanda por dólar, o que não está acontecendo. Temos, pelo contrário, um fluxo de entrada consistente e juros mais estáveis. Como a Rússia é também um mercado emergente e os investidores a estão evitando no momento, o dinheiro acaba indo para outros emergentes. E o Brasil está pagando juros muito bons e ainda tem uma Bolsa muito barata”, diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos.



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Hoje, durante participação em evento, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, observou que Rússia e Brasil são exatamente os países com taxas de juros acima do nível considerado neutro. “O Brasil saiu na frente no ajuste monetário, e tem sido reconhecido por isso”, disse Campos Neto. “Com exceção de Brasil e Rússia, demais países estão abaixo da taxa neutra”, afirmou o presidente do BC, ressalvando que vários deles ainda vão elevar bastante os juros e que a inflação americana tem subido tanto quanto a brasileira.

Refletindo o fluxo para Brasil, o dólar à vista seguiu em baixa nesta terça-feira, a R$ 5,0521 (-1,07%) no fechamento – na semana, a moeda americana cede 1,71% e, no mês, 4,78% ante o real.

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“Pode estar realmente havendo essa competição entre emergentes, mas o fato é que o fluxo precede isso, ocorrendo já há alguns meses: temos um mercado de renda fixa gigantesco e taxa de juros real positiva no Brasil. Com a elevação de juros nos Estados Unidos, isso pode se modificar, com alguma corrida para o dólar. Mas Roberto Campos Neto parece estar disposto a elevar mais os juros para não perder este gatilho”, observa o economista Renato Chain, da Parallaxis, para quem a elevação da Selic pelo BC tem um dos olhos no câmbio. “Com a desindustrialização que houve no Brasil, há uma dependência de componentes importante, e o câmbio acaba sendo um fator de ‘pass-through” (transmissão para os preços)”, acrescenta Chain.

Por outro lado, a recuperação dos preços de commodities, de grãos a metais e petróleo, tem beneficiado as empresas do setor e a demanda pelas respectivas ações. Para o banco Julius Baer, o preço do barril de petróleo deve chegar a três dígitos no curto prazo: não é mais uma questão de “se”, mas de “quando” a marca será alcançada, aponta a instituição, observando que os contratos no mercado futuro têm sido impulsionados pelos temores gerados pela crise na Ucrânia, embora o fôlego não deva se sustentar no longo prazo.


“Os riscos geopolíticos podem levar a um ciclo de crescimento mais lento e isso pode acabar com as chances de um aumento de meio ponto na taxa de juros do Fed na decisão da FOMC (o comitê de política monetária) em 16 de março”, observa em nota Edward Moya, analista da OANDA em Nova York. “O apetite por risco começará a ver algum apoio conforme os investidores começarem a precificar um Fed menos agressivo, mais acomodação do PBOC (o BC chinês) e com as tensões geopolíticas se estendendo por muito tempo”, acrescenta.

Na B3, destaque para o desempenho de mineração (Vale ON +1,73%) e siderurgia (Usiminas PNA +1,66%) nesta terça-feira, apesar do ajuste marginalmente negativo para os preços do minério em Qingdao (China) após recente recuperação. Na ponta do Ibovespa, Fleury (+8,23%), Soma (+7,32%), Cogna (+7,05%) e Minerva (+6,16%). No lado oposto, Banco Inter (Unit -9,62%), Americanas ON (-5,40%), ainda refletindo os efeitos da queda do site de compras, e Embraer (-4,63%). O dia foi também negativo para Petrobras (ON -1,55%, PN -0,32%), assim como para os grandes bancos, à exceção de Itaú (PN +0,90%) e BB (ON +0,94%).