Finanças

Ibovespa fecha em queda de 0,27%, mas acumula alta de 0,86% na semana

Ibovespa fecha em queda de 0,27%, mas acumula alta de 0,86% na semana

Após uma manhã de instabilidade, em que alternou leves altas e quedas, o Ibovespa não resistiu à piora das bolsas americanas e operou em território negativo ao longo da segunda etapa de negócios, abaixo da linha dos 105 mil pontos. Segundo operadores, em meio a incertezas externas e à falta de novos gatilhos domésticos para uma nova onda de valorização do índice, investidores preferiram adotar uma postura cautelosa.

Com máxima aos 105.464,25 pontos e mínima de 104.524,97 pontos, o principal índice da B3 encerrou a sessão desta sexta-feira (18) aos 104.728,89 pontos, em queda de 0,27%. Apesar da queda nos dois últimos dias, o Índice fechou a semana com alta de 1%. O volume negociado hoje foi de R$ 16,1 bilhões.

Operadores lembram que o Ibovespa passou por uma recuperação expressiva nos últimos dias e era natural que, ao se aproximar do recorde histórico, houvesse um movimento de ajustes técnicos. De fato, o índice subiu em seis das últimas oito sessões. Do piso dos 99.867,59 pontos, no dia 8, até o teto de 105.422,80 pontos, no dia 16, o Ibovespa acumulou valorização de 5,56%.

A aprovação do acordo para saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, e a trégua na guerra comercial sino-americana diminuíram a tensão nos mercados globais. Mas ainda há certa cautela, já que ainda há etapas pendentes para a concretização desses avanços. O acordo do Brexit ainda precisa ser aprovado pelo parlamento britânico, com votação prevista para este sábado. O entendimento entre China e Estados Unidos, além de parcial, é precário. Não se descarta a possibilidade de o presidente americano, Donald Trump, voltar a atacar os chineses durante o processo de negociação.

“A bolsa está com volume baixo e sem força para novas altas. Muita gente não quer ficar exposto durante o fim de semana, porque a incerteza lá fora ainda é grande”, afirma Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, ressaltando que o mercado está muito sensível ainda à questão da guerra comercial e pode “chacoalhar” com qualquer declaração negativa de Trump.

No ambiente doméstico, a expectativa para a próxima semana se concentra na votação da reforma da Previdência em segundo turno no Senado, prevista para terça-feira, 22. A opinião predominante entre profissionais ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, é a de que os atritos entre o presidente Jair Bolsonaro e o partido pelo qual ele se elegeu, o PSL, não ameaçam a votação da reforma.

Para Galdi, da Mirae, com a aprovação da reforma da Previdência, aliada a sinais de melhora da economia, como os números do Caged em setembro (criação de 157.213 vagas formais), o Ibovespa pode ganhar fôlego e rumar para os 110 mil pontos até o fim do ano. “Faltam dois meses do fim do ano e, se não tiver problema lá fora, o índice pode buscar novo recorde até dezembro”, diz.

Entre as blue chips, as ações da Petrobras fecharam em queda, em dia de baixa do petróleo no mercado internacional. Os dados da produção da petroleira no terceiro trimestre, contudo, foram considerados fortes pelos analistas. Já as ações ON da Vale amargaram queda de 1,46%, em semana de retração do preço do minério. Dados da economia chinesa foram mistos. O PIB da China subiu 6% no terceiro trimestre (anualizado), o menor crescimento em 27 anos, mas a produção industrial e as vendas no varejo aceleraram em setembro na comparação com igual período do ano passado.

Com participação relevante no Ibovespa, as ações de bancos, à exceção do Banco do Brasil, fecharam em queda, com perdas mais acentuadas da PN do Itaú (-1,18%) e das units do Santander (-1,32%). Os papéis do BB subiram 2,56%, a terceira maior alta da carteira teórica do índice, após a oferta subsequente de ações (follow on) ser precificada em R$ 44,05, apenas 2% abaixo em relação ao preço de fechamento de quinta.

As duas maiores altas do Ibovespa foram das ações da Eletrobras – ON subiu 5,03% e PNB, 3,37%. Foram bem recebidas as declarações do ministro de Minas e Energia, Bento Ribeiro, dando conta de que o projeto de lei para capitalização da empresa será enviado ao Congresso entre o fim deste mês e o início de novembro.

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