Geral

‘Houve negligência do hospital’, afirma filho de idosa morta na tragédia

Emanuel Ricardo dos Santos Melo estava com a mãe, Luzia, de 88 anos, no Hospital Badim, no Maracanã, desde a manhã de quarta-feira, 11. Ela havia sido internada por problemas respiratórios, mas se recuperava bem, segundo o filho, e poderia ter alta na semana que vem. Luiza foi uma das 11 vítimas do incêndio no hospital, ocorrido na noite desta quinta-feira, 12.

Maranhense, a idosa morava em Cascadura, no subúrbio do Rio, e deixa cinco filhos e netos. Nesta sexta-feira, 13, a Polícia Civil informou que calor e fumaça dificultam a perícia. A Rede D’Or São Luiz, dona do Hospital Badim, divulgou nota na qual lamenta “profundamente o incêndio” e afirma ter colocado todos os hospitais da rede para receber pacientes, familiares e funcionários.



“Estava com a minha mãe como acompanhante (no Hospital Badim) desde quarta-feira às 11h30. Estava direto no CTI, que fica no andar G1. Ela estava no boxe 12. Pela manhã, teve uma primeira falta de energia muito forte e depois de um tempo veio a segunda. Na primeira, o pessoal da manutenção do Badim foi passando nos boxes tranquilizando, dizendo que estava tudo resolvido, que a energia ia voltar, como voltou. Depois de 20 minutos no máximo, faltou (energia) de novo. Houve uma explosão e começou fumaça muito densa, muito cheiro de diesel, muito forte”, contou.

“Os funcionários estavam totalmente perdidos, batendo cabeça, sem saber o que fazer. A enfermeira que era responsável pelo setor sumiu. Fechei o boxe para que minha mãe não respirasse fumaça. Peguei minha blusa para me proteger. E quando vieram pegar ela, para levar para onde estava o Corpo de Bombeiros, eu tentei deixar ela tranquila. Arrumei a máscara nela. Só falava para ela não tirar, para não falar. Ela só balançava a cabeça”, disse.

“Quando ela chegou no Corpo de Bombeiros, pensei: pô, finalmente, agora está tranquilo. Mas os bombeiros não permitiram acompanhamento, além de violência física em quem tentava ficar com seu acompanhante. Não permitiram de jeito algum, embora pedíssemos a todo instante. Alegaram que a gente tinha de sair por outro canto. Não tinha ninguém conduzindo. Podíamos ter morrido também”.

+ Especialista revela o segredo dos bilionários da bolsa. Inscreva-se agora e aprenda!



“Não tinha brigada de incêndio nem orientação. Zero. Não houve nada (de orientação), absolutamente nada. Minha mãe estava no hospital desde quarta-feira, com pressão alta e pneumonia, duas coisas tratáveis. Chegou com dificuldade respiratória, mas ontem (quinta-feira) ela já estava melhor, respirando normal, quase em aparelho respiratório. A médica disse que na semana que vem ela poderia ter alta. Estava tranquilo. Até acontecer toda essa situação”.

“Eu e meu irmão percorremos o Rio de Janeiro atrás da nossa mãe, as informações estavam totalmente desencontradas. O Badin não falava coisa com coisa, a Defesa Civil muito menos. Dizem que tinha muitos médicos, balela. Com certeza a morte dela poderia ter sido evitada. Foi um assassinato, houve negligência do hospital. E houve sim truculência do Corpo de Bombeiros. Só faleceram as pessoas que estavam no G1. Morreram idosos”, finalizou.

Defesas

A reportagem aguarda manifestação da Rede D’Or São Luiz e do Corpo de Bombeiros sobre o relato.