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Horizonte seguro

A Ituran, empresa israelense especializada em rastreamento de veículos, fecha parcerias com seguradoras para incrementar seu principal produto

Crédito: Claudio Gatti

Além do alcance: Louzon, CEO da Ituran no Brasil, foca os olhos no varejo e aposta na conquista dos motoristas de aplicativos (Crédito: Claudio Gatti)

A capacidade para encontrar soluções em meio ao fogo cruzado permeou a trajetória de vida do israelense Amit Louzon. No total, foram sete anos dedicados ao exército de Israel, algo que aguçou o senso de liderança e de responsabilidade do executivo. “O exército fornece a capacidade de olhar sempre à frente, buscar atalhos e desenvolver um novo jeito de pensar”, diz o CEO da Ituran Brasil, empresa especializada em rastreamento de veículos. Há um ano à frente da operação brasileira, Louzon tem o desafio de manter o bom desempenho do principal mercado global da companhia. Para isso, ele mira na oferta de um produto que, além da busca pelo carro roubado, proteja o bem do motorista.

Com faturamento global de US$ 239 milhões em 2017, o Brasil representa cerca de 60% desse montante. Para manter o crescimento no País, a estratégia de Louzon é ampliar a cobertura do rastreamento com um seguro. Isso é fruto de uma parceria com as seguradoras HDI, Liberty e Mapfre, para oferecer um pacote de serviços personalizado, com coberturas adicionais contra terceiros e perda total por colisão. Até o fim do ano, a expectativa é conquistar cerca de 70 mil clientes. O plano mais barato custa R$ 69,90 mensais, R$ 10 a mais do que o preço do rastreamento. “Estamos abrindo mais o nosso produto tradicional”, diz Louzon. Com 700 mil contratos ativos, a aposta da empresa é conquistar dois públicos: aqueles que perderam poder aquisitivo com a crise ou que ficaram desempregados e os motoristas de cerca de 31 milhões de carros que circulam sem seguro por dia no Brasil.

Outro mercado que a Ituran está de olho é na proteção para motoristas de aplicativos, como Uber e 99. “Oferecemos um produto diferente, com rastreamento, algo que outras empresas não trabalham”, afirma Louzon, referindo-se tanto às seguradoras como às suas concorrentes diretas, como as brasileiras Graber e Omnilink. “Sabemos que motoristas de aplicativos não têm muitas oportunidades com as seguradoras, devido à quantidade de tempo que eles dirigem por dia.”

Embora a retomada econômica esteja patinando, a arrecadação do mercado segurador veicular mantém números positivos. De janeiro a abril, esse segmento cresceu 10,6% em relação ao mesmo período do ano passado, arrecadando R$ 11,4 bilhões, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Em 2017, a categoria de automóveis arrecadou R$ 33,9 bilhões. O bom resultado é fruto, entre outras coisas, do incremento no licenciamento de veículos, em torno de 20%. “Essa é a melhor métrica de avaliação, pois abrange os veículos novos que entraram em circulação no País. A contratação de seguros deve acompanhar essa tendência”, diz Walter Pereira, vice-presidente da Comissão de Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). É para esse horizonte de crescimento que aponta o binóculo de Louzon.