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Horizonte para as ações

O Ibovespa bateu seis recordes sucessivos e permanece nos níveis mais elevados do ano, mas ainda há setores promissores. Saiba quais são eles.

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Setor de construção civil: crédito imobiliário em alta alicerça lucros das empresas. (Crédito: Istock)

O caminho não tem sido tranquilo, mas a trajetória é firmemente ascendente. Na quarta-feira (9), o Ibovespa encerrou a sessão levemente abaixo do nível psicológico de 130 mil pontos. A alta acumulada em junho era de 2,9%. Pode ser que, nos próximos dias, as notícias da aceleração inesperada da inflação medida pelo IPCA e as expectativas com o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 15 e 16 de junho, desidratem parte desse otimismo. Apesar desse senão, o mercado mudou de patamar. Mesmo com esses solavancos, a alta dos preços das commodities e o interesse renovado dos investidores internacionais fornecem combustível para as ações. E a fagulha para isso é a expectativa – talvez um pouco irrealista – do mercado com relação às reformas tributária e adminstrativa.

Várias casas de análise prevêem um Ibovespa encerrando o ano ao redor de 150 mil pontos, o que indicaria uma valorização em potencial de 15,4% nos próximos seis meses. E a sucessão de aberturas de capital e ofertas subsequentes bilionárias mostra que os empresários também estão otimistas quanto ao apetite do mercado.

Você não tem nenhuma ação em seu patrimônio? Considera que perdeu o bonde? Calma. DINHEIRO conversou com os especialistas e descobriu que há várias empresas e diversos setores que ainda prometem bons resultados.

Segundo Paolo di Sora, fundador e CEO da gestora RPS Capital, a visão para o Brasil está mais otimista. A alta das commodities aumenta as exportações, o faturamento das empresas exportadoras e a arrecadação do governo. Isso alivia a situação fiscal. “No início do ano esperava-se que a dívida pública chegasse a 95% do PIB, mas agora a projeção recuou para cerca de 83%”, disse ele. Em sua avaliação, essa melhora garante perspectivas mais positivas para a economia.

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“A liquidez internacional permanece elevada, os juros continuam baixos, e não há sinais de que isso deva mudar no curto prazo” Erminio Lucci, CEO da BGC Liquidez.

O principal argumento em favor dessa tese pode ser visto no gráfico que ilustra essa reportagem. O Ibovespa é o principal e mais conhecido índice de ações do Brasil, mas está longe de ser o único. Há pelo menos 20 índices na B3, muitos deles setoriais. No ano, até a quarta-feira (9), a alta acumulada do Ibovespa era de 9,2%. O índice de Materiais Básicos, que concentra as empresas de commodities, tinha se valorizado 26,1% nesse período. E o índice Financeiro havia subido apenas 3,7%. Uma defasagem que está com dias contados para a corretora BGC Liquidez. “Bancos e empresas do setor financeiro, além de indústrias, estavam muito atrasados em relação ao índice”, disse o CEO da corretora Erminio Lucci. “Parte desse atraso foi corrigida com o movimento de alta que se iniciou na segunda quinzena de maio.”

OPORTUNIDADES Segundo Lucci, os retardatários têm todas as condições de recuperar o tempo e o terreno perdidos. “A liquidez internacional permanece elevada, os juros continuam baixos, e não há sinais de que isso deva mudar no curto prazo”, disse ele. “Assim, boas empresas com resultados sólidos podem voltar a atrair o interesse dos investidores.”

Lucci cita como exemplo as empresas de pequeno valor de mercado, conhecidas com small caps. Suas cotações têm uma correlação menor com o Ibovespa, por vários motivos. Em primeiro lugar, são pouco negociadas e a baixa liquidez faz com que compras ou vendas relativamente pequenas provoquem oscilações fortes nos preços. Além disso, elas são menos acompanhadas pelos bancos e casas de análise, o que as torna pouco visíveis para os investidores.

Nesse cenário, os setores mais promissores são os de tecnologia e os de construção civil. “A retomada do setor imobiliário tem sido forte, especialmente na cidade de São Paulo, e os resultados das empresas podem surpreender no segundo trimestre”, disse Lucci. Os juros ainda baixos favoreceram a expansão do crédito imobiliário e esse movimento está longe de terminar. Assim, ações de bancos, de construtoras e de companhias ligadas indiretamente ao mercado externo – como indústrias dedicadas a máquinas agrícolas, por exemplo – ainda podem garantir bons ganhos ao investidor apesar dos sucessivos recordes do Ibovespa.