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Home office: sua empresa está preparada?

O contato físico, olho no olho, nunca perderá importância. Muitas organizações, porém, entendem que condicionar o colaborador a ir até o escritório diariamente é enquadrá-lo em uma rotina que não contribui em nada com a criatividade, a inovação e o engajamento.

Crédito: Evandro Rodrigues

Em grandes centros urbanos, onde além de tudo o próprio deslocamento é estressante, a jornada ainda pode ser menos produtiva do ponto de vista de capacidade de criação, desenvolvimento de ideias e comprometimento com resultados. O trabalho a distância, ou home office, fomenta o engajamento, aumenta o sentimento de pertencimento e orgulho do colaborador. À medida que as pessoas vão se habituando ao mundo digital e conhecem tantas novas tecnologias que permitem encontros e conexões bem-sucedidas, é natural que elas passem a não entender a necessidade de ir todos os dias ao escritório. Quando isso acontece, a flexibilização da jornada e o home office passam a ser fatores de atração e retenção de talentos.

É importante que a organização se prepare para essa nova realidade. E tudo começa com a capacidade da liderança de fazer gestão por resultado — definir claramente papéis e responsabilidades, estabelecer objetivos e metas e proporcionar aos colaboradores informações claras a respeito da estratégia.

Muitos gestores ainda se sentem mais confortáveis em ter os colaboradores por perto, para que possam distribuir tarefas de última hora (incêndios acontecem) e fiscalizar a produtividade do trabalho. Ainda que às vezes isso seja necessário, não deveria ser a função principal da liderança.

Para garantir a produtividade longe do escritório é importante responder a perguntas básicas: 1. A liderança está preparada para delegar atividades, comunicar metas e acompanhar resultados de maneira consistente? 2. A cultura da empresa favorece agendamentos de reunião com antecedência, planejamento semanal ou mesmo mensal? 3. A empresa conta com recursos tecnológicos de comunicação remota?

Mais do que criar um ambiente dinâmico e prezar pela qualidade de vida e bem-estar dos colaboradores, políticas de trabalho remoto podem também significar redução das “despesas de estar”, aquelas que incorrem da presença do funcionário no escritório.

Política transparente, regras claras e treinamento sobre comportamento e resultados esperados no home office são condição básica antes de qualquer mudança. Pelo menos no início, também é recomendado manter o posto de trabalho disponível — se o colaborador não se adaptar, ele pode simplesmente voltar ao escritório, e a empresa poderá medir a aderência. Também é muito importante, claro, avaliar todos os impactos legais trabalhistas que as alterações na jornada de trabalho podem provocar.

Além de ser um indicador importante para a marca empregadora da empresa, modernizar a jornada de trabalho com home office e entrada e saída com horários flexíveis fomenta a capacidade de criação e aumenta o compromisso com a empresa.

Quem não gostaria de ter pelo menos um dia da semana sem pegar trânsito? Ou mesmo um dia trabalhando com a vista preferida? Quanto os colaboradores se dedicariam a mais ao ver que sua conveniência e bem-estar são valores para a empresa? E quanto a organização pode esperar de novas ideias, inovação e criatividade dos colaboradores que têm à disposição a oportunidade de trabalhar em lugares mais inspiradores? Vale fazer uma boa reflexão.