Dinheiro em foco

“Hoje, há 64 milhões de brasileiros negativados”

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Quem é Marc Lahoud:Fundador e CEO da plataforma de negociação Quero Quitar. Administrador de empresas com experiência em gestão no varejo e especialista em comportamento do consumidor. Participou dos programas de inovação na Telefônica Open Future, inovaBRA/Bradesco, Endeavor e projeto de impacto social da Caixa Econômica Federal e Artemísia. (Crédito: Divulgação)

Fundada em 2015 para atuar no mercado de recuperação de crédito, a plataforma Quero Quitar recebeu 40 milhões de usuários desde o início da pandemia. Segundo o CEO, Marc Lahoud, a quarentena acelerou o processo de digitalização e também o volume de acordos, que cresceu 36% entre março e julho. “E o pagamento à vista dos acordos, que estava em torno de 27%, subiu para 53%”, disse Lahoud à DINHEIRO.

Quantos milhões de devedores a Quero Quitar tem cadastrados no momento?
Antes da pandemia, eram 12 milhões. Por causa da quarentena, as empresas de cobrança tradicionais tiveram dificuldades de gerar resultados. Muitas instituições migraram seus bancos de dados de devedores para nossa plataforma. Com isso, temos hoje cerca de 52 milhões de CPFs em nosso cadastro. Hoje, há 64 milhões de brasileiros negativados, praticamente a metade da mão de obra ativa do País. Se considerarmos gente que deve, mas ainda não teve o nome sujo, são 76 milhões.

A pandemia foi benéfica para seu negócio?
Sim. A pandemia contribuiu para que todas as empresas de perfil digital saltassem aos olhos do mercado. Nesse período, fechamos sete novos contratos. Temos 20 instituições de crédito parceiras. Estamos com clientes como Santander, Tribanco, Porto Seguro, Pernambucanas, entre outros.

Além do aumento do banco de dados de devedores, o que mais pode ser destacado?
O volume de acordos cresceu 36%, mês a mês, entre março e julho. E o pagamento à vista dos acordos, que estava em torno de 27% subiu para 53%. Acho que isso está ocorrendo porque o futuro é muito incerto. Então, quando surge algum dinheiro, o devedor aproveita para resolver seu problema. Já quem só pode pagar a prazo, procura parcelar.

Como funciona o modelo de cobrança?
A ideia é possibilitar que o próprio devedor encontre o melhor caminho para resolver suas pendências. Sendo assim, a instituição envia para nós todas as possibilidades de negociação. Na outra ponta, nós acessamos o devedor – por e-mail, SMS, redes sociais – ou ele mesmo entra no nosso site e faz o acordo. A vantagem é que não há constrangimento. Quando o cliente é acionado pelo credor ou por um cobrador, ele fica com vergonha, deixa de atender ao telefone. Até porque, as abordagens, na maioria das vezes, oferecem acordos ruins. No nosso caso, todas as opções estão disponíveis na plataforma. Há transparência. O cliente escolhe o melhor formato para ele. Isso tem dado muito certo.

E qual é a média de quebra de acordo?
No mercado em geral, de 53%. A pessoa fecha o acordo, mas deixa de pagar antes de terminar as parcelas. No nosso caso, fica em torno de 40%.

Você acha que, após a pandemia, esse mercado estará totalmente mudado?
A gente torce pelo acerto das empresas tradicionais. Call centers e assessorias de cobrança sempre vão existir, mas de um jeito reconfigurado. A forma de tratar a relação credor/devedor será alterada. Mas mudar e avançar no uso da tecnologia é difícil. Se não fosse, a Blockbuster teria se transformado em Netflix. As cadeias de livrarias virariam Amazon. Mas essas coisas não aconteceram porque a estrutura do negócio já está pilarizada em um modelo. É necessário derrubar tudo e pensar do zero. A gente já lançou a empresa na nova economia. É diferente.

Em que áreas a Quero Quitar pode crescer?
Cada brasileiro negativado tem, em média, quatro dívidas, com valor médio de R$ 4.280. Mas há também os devedores pessoa jurídica. São 5,6 milhões de empresas, 30% negativadas. Há muito a ser feito. Como crescemos bastante, estamos fazendo uma captação de R$ 12 milhões, que serão usados para aumentar o número de colaboradores e a capacidade de atendimento e processamento. Estamos num ritmo forte e devemos crescer 300% este ano.

RECEBÍVEIS
Capittale quer antecipar R$ 1,1 bilhão

A Eldorado, empresa que é o braço de investimentos do Grupo DMCard, entrou pela primeira vez no segmento de antecipação de recebíveis adquirindo 40% da fintech Capittale. Constituída em maio de 2018 pelos empresários Fábio Fernandes e Marcos Creazzo, a Capittale teve como primeiros clientes as redes supermercadistas. Ao final de 2019, quando a empresa tinha pouco mais de 1 ano de vida, a Cappitale já somava um montante de quase R$ 200 milhões em adiantamentos, em mais de 4,5 mil operações fechadas com cerca de R$ 5 milhões em descontos em negócios intermediados. A meta é totalizar R$ 1,1 bilhão em adiantamentos até o final de 2021.

OPORTUNIDADE
Fintechs foram incluídas em programa de engajamento

A Mastercard acrescentou quatro fintechs ao seu programa de engajamento de startups e também fechou parcerias com cerca de 50 novos negócios de tecnologia. As quatro fintechs são Bit Capital, plataforma de banco aberto baseada em blockchain; Aper, que faz parcerias com instituições financeiras que queiram desenvolver o próprio e-commerce; Finerio Connect, interface de programação ponta a ponta de aplicativos de gestão de finanças; e Juvo, que analisa dados da rede móvel para construir identidades financeiras para 68% dos adultos em todo o mundo que não possuam crédito formal. Desde 2014, a Mastercard já convidou 230 startups em estágio avançado para participar do seu programa virtual de seis meses de duração.

Número da semana 2,34% 

É a alta do Índice Geral de Preços (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas, na prévia do segundo decêndio de agosto. No mesmo período de julho, o IGP-M subiu 2,02%. Com este resultado, a taxa em 12 meses passou de 9,05% para 12,58%. “A segunda prévia do IGP-M segue sob influência dos preços ao produtor, que refletem com destaque alta de commodities, como minério de ferro (9,24%), efeitos sazonais, como no preço do leite (12,40%) e aumento do preço dos combustíveis, como o captado para o diesel (7,57%)”, afirmou André Braz, coordenador dos Índices de Preços da FGV. Considerando o mesmo período de levantamento do IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), principal indicador para o setor atacadista brasileiro, subiu 3,15%, ante 2,72% no segundo decêndio do mês anterior. Na análise por estágios de processamento, os preços dos Bens Finais passaram de 0,54% em julho para 0,96% em agosto. A maior contribuição para este resultado partiu do subgrupo alimentos in natura, cuja taxa passou de -13,89% para -5,02%. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou 0,41% no segundo decêndio de agosto, após subir 0,49% no mesmo período de coleta de julho.

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