Herú, o duende engarrafado

Herú, o duende engarrafado

Na taça, esse Pinot Noir chileno mostra uma coloração rubi mais intensa que o padrão da variedade

Entre as tantas frases memoráveis de Vinicius de Moraes, uma entrou para a história da crônica etílica: “O uísque é o melhor amigo do homem, ele é o cachorro engarrafado.” No mundo dos vinhos, ainda que cães sejam lembrados em muitas passagens, outros ‘amigos’ do homem receberam as mais distintas homenagens. Um deles é o Herú, duende que traja um gorro vermelho e, segundo uma lenda local, protege os vinhedos do Valle de Casablanca, no Chile.

Ainda que esse espírito da natureza (ou ser elemental, como preferem os esotéricos) seja apenas uma fantasia dos vinhateiros locais, não há dúvida de que ele foi engarrafado, como o cão de Vinicius. A proeza foi da Viña Ventisquero, que elabora grandes vinhos sob marcas como Pangea, Enclave, Vertice, Tara e Herú — este último em homenagem ao protetor de Casablanca. Elaborado com uvas 100% Pinot Noir, o rótulo recebeu 94 pontos do Guia Descorchados pela safra 2018, o que o coloca entre os melhores do Chile e confirma a pontuação dada anteriormente pelo crítico James Suckling.

Com maturação de 12 meses em barricas de carvalho francês, esse vinho de coloração rubi (bem intensa para a variedade) traz ao nariz aromas de framboesas, baunilha e café. Na boca, taninos maduros aportam grande complexidade e equilíbrio. O final longo é um presente para quem o degusta. Minha primeira experiência foi com a safra 2009, também merecedora de 94 pontos na avaliação da revista britânica Decanter. A recém-lançada 2018, muito jovem, justifica um período de guarda de mais um ano. A 2017 (95 pontos Descorchados) já está pronta para beber. Se carnes e queijos são as recomendações clássicas de harmonização, eu arriscaria dizer que um salmão assado no forno pode ser ainda mais surpreendente. A temperatura de serviço sugerida pelo enólogo é em torno de 15 graus Celsius. O vinho chega ao Brasil pela Cantu Importadora.

 

 

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Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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