Mercado Digital

Herança milionária

Um dos brasileiros mais influentes no mercado de tecnologia, Hugo Barra embolsa R$ 923 milhões com o IPO da Xiaomi

Crédito: Jeff Chiu

Bem na foto: além da conta recheada, Hugo Barra tem no currículo empresas como Google e Facebook (Crédito: Jeff Chiu)

Aos 41 anos, Hugo Barra ostenta um currículo e uma influência incomuns para um brasileiro no mercado global de tecnologia. Entre outras posições-chave, o executivo liderou a divisão do sistema operacional Android, do Google, e, desde o ano passado, comanda a área de realidade virtual do Facebook. Antes de ser um dos homens de confiança de Mark Zuckerberg, no entanto, ele respondia pela expansão internacional da Xiaomi, fabricante chinesa de smartphones. Recentemente, essa passagem lhe trouxe uma “herança”, que reforça não apenas o seu papel de destaque no setor. Mas também a sua conta bancária.

No início deste mês, a Xiaomi abriu capital na bolsa de valores de Hong Kong e foi avaliada em US$ 54 bilhões. No processo, Barra teve direito a 86 milhões de ações. Considerando a cotação do papel na terça-feira 17, essa fatia corresponde a US$ 239 milhões (R$ 923 milhões). A informação foi “descoberta” por Tim Culpan, jornalista da agência Bloomberg, a partir do prospecto da oferta da Xiaomi. O documento não cita o nome do executivo brasileiro. Mas menciona o cargo de vice-presidente de negócios globais, criado com a sua chegada à fabricante, em 2013. E que não foi ocupado por mais ninguém, desde que ele deixou a empresa, no início de 2017. Procurado, Barra não retornou ao pedido de entrevista da DINHEIRO.

Conhecida como a “Apple Chinesa”, a Xiaomi começou a chamar atenção em 2014, quando assumiu a liderança do mercado chinês de smartphones, desbancando a coreana Samsung . Barra era o responsável pelo próximo passo da companhia: ganhar o mundo. A estratégia funcionou em locais como a Índia. Mas não no Brasil. A empresa praticamente deixou o País no início do ano passado. A importância do brasileiro nessa trajetória, no entanto, é ressaltada. “Quando Barra chegou à Xiaomi, poucas pessoas conheciam a empresa fora da China”, diz Tina Lu, analista da consultoria americana Counterpoint. Ela cita que, no período em que ele esteve na operação, a participação das receitas internacionais no faturamento da Xiaomi saltou de menos de 5% para 35%. “A exposição que ele deu à marca foi vital para o que a Xiaomi conquistou até o momento.” A conta está sendo paga.