Dinheiro em foco

Guilherme Abbud, sócio-fundador da Persevera

Crédito: Divulgação

Quem é e o que faz: Administrador de empresas pela USP, com MBA pelo Insead. 27 anos de mercado de capitais. Passagens por Hedging-Griffo, ING, Western Asset, HSBC e Bradesco. Fundou a Persevera em 2018. (Crédito: Divulgação)

Como são seus fundos multimercados?
Nossa gestora tem cerca de três anos. Temos basicamente dois produtos, o fundo Compass, cuja meta de rentabilidade é CDI mais 5% ao ano, e o Persevera Compound Previdência, que é parecido, mas tem algumas restrições de alocação para se enquadrar como produto de previdência privada.

Qual é a estratégia?
Procuramos nos diferenciar da concorrência. Vários ex-presidentes e ex-diretores do Banco Central fundaram suas próprias assets e lançaram fundos multimercados. São profissionais extremamente competentes na gestão de carteiras compostas por juros e moedas, então nossa alternativa foi buscar a diferenciação.

No que os fundos investem?
Nossos fundos são pensados como fundos de fundos. Temos sete estratégias diferentes, e a carteira tem de 20 a 25 posições abertas simultaneamente. Algumas das posições são mais macro, com estratégias de juros e moedas no Brasil e de juros e moedas no exterior. Também temos uma seleção de ações brasileiras fundamentalista, optando por papéis que ainda não entraram no radar do mercado, e uma seleção de ações internacionais.

E o que mais?
Temos uma arbitragem de risco, visando ganhos com fusões e aquisições, uma estratégia de commodities e um de trades relativos. Por exemplo, comparando o Ibovespa com o índice americano S&P 500.

Como surgiu essa ideia?
Minha equipe e eu trabalhávamos no banco HSBC. Quando as operações brasileiras foram vendidas para o Bradesco, nós recebemos o mandato de reinventar a área de fundos multimercados do banco. Na época, montamos um fundo multimercado multiestratégia, que buscava ir além das apostas direcionais e encontrar correlações entre classes de ativos diferentes.

Qual a vantagem em relação aos demais multimercados?
Partimos do princípio que o mercado brasileiro está evoluindo e se sofisticando. Isso quer dizer que as diversas classes de ativos começam a ter vida própria e a se movimentar em direções diferentes, o que permite arbitragens. Essa normalização do comportamento dos ativos brasileiros possibilita construir portfólios e montar estratégias de investimento mais sofisticadas.

TRIBUTAÇÃO
Dividendos de fundos pagarão menos imposto

Luis Macedo

O deputado Celso Sabino (PSDB-PA), relator da proposta de reforma tributária atualmente em tramitação na Câmara dos deputados, reduziu a tributação dos dividendos recebidos pelos fundos de investimento. Pela versão mais recente do texto, divulgada na terça-feira (3), os proventos recebidos pelos fundos serão tributados em 5,88%, em vez dos 20% que serão cobrados da pessoa física. Sabino afirmou que a medida foi amplamente negociada com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O IR pago será considerado definitivo e não poderá ser objeto de restituição ou compensação por parte do administrador do fundo.Ainda segundo o parecer de Sabino, o valor recebido pelo fundo, líquido do IR, será incorporado ao valor patrimonial das cotas. Os cotistas, por sua vez, ficarão sujeitos à tributação prevista para o fundo, seja no momento do resgate, seja no “come-cotas”, de acordo com a classificação do fundo.

EM ALTA
0,78% 

Foi o aumento do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) em julho, contra 0,60% no mês anterior, conforme levantamento do FGV-IBRE. Com este resultado, o indicador, conhecido como índice do aluguel, acumula alta de 15,98% no ano e de 33,83% em 12 meses. Efeitos sazonais, exportações e a alta acumulada nos preços das rações orientaram a aceleração do índice ao produtor, que nesta apuração, teve a destacada influência de três itens: minério de ferro (-3,04% para 2,70%), adubos ou fertilizantes (5,70% para 14,28%) e leite in natura (6,20% para 5,74%).

EM BAIXA
-3,94% 

Foi a queda acumulada pela bolsa de valores brasileira durante o mês de julho, registrando seu pior resultado mensal desde fevereiro, quando caiu 4,37%. No último dia do mês (30), a bolsa encerrou o pregão com uma queda de 3,08%, atingindo os 121,8 mil pontos, maior perda diária desde o dia 8 de março, quando bateu em 3,98% de baixa. Enquanto isso, o dólar, que vinha de quedas consecutivas disparou, subindo 2,57% no dia, cotado a R$ 5,210 na venda.